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Feira integra Ufra e escola pública para incentivar a ciência e aproximar estudantes da universidade

  • Published: Thursday, 02 July 2026 15:26
  • Last Updated: Thursday, 02 July 2026 15:26

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A Ufra levou um pouco da universidade para dentro da Escola de Ensino Fundamental e Médio Mário Barbosa, no bairro da Terra Firme, em Belém, durante a 1ª Feira e Mostra Multidisciplinar de Ciência Integrada (FEMMCI): Escola e Universidade Construindo Conhecimento para a COP 30,. O evento, que ocorreu entre os dias 23 e 25 de junho, reuniu estudantes da educação básica, professores, pesquisadores e universitários em três dias de atividades voltadas à divulgação científica, sustentabilidade, inovação e inclusão, fortalecendo a aproximação entre a universidade e a escola pública.

Realizada em parceria com a Secretaria de Estado de Educação (Seduc), a feira foi resultado de um projeto aprovado em uma chamada do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), destinada ao incentivo de feiras e mostras científicas. Ao longo da programação, os participantes acompanharam palestras, oficinas, dinâmicas, exposições culturais, apresentações de trabalhos científicos e uma feira vocacional com cursos da Ufra.

Segundo o coordenador da FEMMCI e professor da Ufra, Osnan Silva, o evento representa a culminância de um trabalho iniciado meses antes da feira. "É um projeto que nós submetemos ao CNPq em 2024. A proposta fazia alusão à COP 30 e, por questões orçamentárias, o recurso demorou para sair. Agora estamos realizando esse evento de três dias com palestras, dinâmicas, oficinas e, acima de tudo, a apresentação de trabalhos científicos produzidos por estudantes da educação básica com o apoio de estudantes da universidade", explicou.

O professor destacou que a iniciativa mobilizou docentes e discentes de diferentes cursos da Ufra desde o início do ano letivo. Ao longo desse período, universitários de graduação e pós-graduação desenvolveram atividades na escola que resultaram na produção de 40 trabalhos científicos elaborados por estudantes do 7º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio.

"Os alunos da educação básica receberam orientação desde a escrita do resumo, metodologia, resultados e conclusão até a elaboração dos banners e a forma de apresentar um trabalho científico. Todo esse processo foi acompanhado pelos nossos alunos da graduação e da pós-graduação. Hoje eles estão apresentando os resultados desse trabalho", afirmou.

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Os estudos apresentados foram organizados em três eixos temáticos: meio ambiente, mudanças climáticas e sustentabilidade; cultura, diversidade, inclusão e arte; e ciência, tecnologia, inovação e empreendedorismo. A escolha dos temas dialoga diretamente com os debates relacionados à COP 30 e aproxima os estudantes de questões atuais que impactam a Amazônia e o mundo.

Para o pró-reitor de Extensão da Ufra, Marílio Salgado, a iniciativa representa a essência da extensão universitária ao integrar universidade e sociedade. "O professor Osnan foi muito feliz em realizar esse trabalho. Ele integrou professores da universidade, nossos discentes e a comunidade escolar. Quando os nossos estudantes passaram a orientar os alunos do Mário Barbosa, houve uma integração perfeita. Isso é a extensão na sua essência", afirmou.

Paula Nery, aluna de Ciência e Tecnologia de Alimentos, esteve participando do projeto desde o início e acompanhou os estudantes da escola durante todas as etapas de elaboração dos trabalhos científicos. "A gente entrou nas salas de aula para explicar o que é ciência e mostrar que ela também está presente na produção de alimentos e nas mudanças climáticas, que afetam diretamente o nosso cotidiano", contou.

Paula explicou que os estudantes aprenderam conceitos normalmente apresentados apenas no ensino superior. "Mostramos como elaborar um resumo simples, como produzir um banner, o que é uma introdução, metodologia, objetivo e conclusão, de uma forma simples e dinâmica para que eles realmente compreendessem", disse.

Para ela, a experiência também fortaleceu sua própria formação. "Pretendo seguir a carreira docente futuramente. Ter esse contato com os alunos da educação básica é de grande importância. Quando a gente começa esse trabalho desde cedo, consegue contribuir ainda mais na educação superior."

A parceria entre universidade e escola foi destacada pela representante da Seduc e coordenadora pedagógica da Diretoria Regional de Ensino Belém 5, Rosely Sousa. Segundo ela, iniciativas como essa ampliam as perspectivas dos estudantes sobre o futuro acadêmico.

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"Essa é uma excelente iniciativa. Os professores têm esse interesse pelos nossos alunos e isso oportuniza que eles conheçam a pesquisa, a ciência e a tecnologia. É um leque de possibilidades para que eles pensem na universidade e escolham um caminho profissional. Esses projetos fazem com que ocorra esse incentivo, essa motivação no aluno. Quanto mais projetos como esse acontecerem, mais eles vão pensar que precisam fazer uma universidade e, quem sabe, seguir para um mestrado ou doutorado", comentou.

A vice-diretora pedagógica da Escola Mário Barbosa, Suzana Mesquita, destacou que a presença da universidade dentro da escola desperta novas perspectivas para os estudantes. "É uma oportunidade excelente. Precisamos abrir cada vez mais as portas da escola para a universidade entrar. Ver os estudantes da Ufra aqui amplia a vontade dos nossos alunos de conhecer, buscar e entrar na universidade", disse.

Ela ressaltou que o projeto permitiu aos estudantes vivenciar todas as etapas de uma pesquisa científica. "Foi a primeira vez que tivemos um projeto nesse formato. Os nossos alunos pesquisaram, produziram e agora estão apresentando seus trabalhos. Isso foi uma oportunidade única e maravilhosa para a nossa escola."

Feira Vocacional

Como parte da programação, no dia 25, houve a feira vocacional com o objetivo de aproximar os estudantes da educação básica dos cursos e pesquisas desenvolvidas dentro da Ufra. Durante a feira, os alunos puderam conhecer os projetos desenvolvidos na universidade e ainda tiveram a oportunidade de interagir e tirar dúvidas diretamente com os expositores.

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O professor Osnan Silva explica que a proposta da feira foi levar um pouco das pesquisas desenvolvidas na universidade para os alunos da escola Mário Barbosa. “Para que eles pudessem entender e, a partir disso, eles conhecerem um pouquinho mais dessa realidade dentro da universidade, saberiam: “olha aqui do lado, depois desse muro, existem vários pesquisadores, professores de vários cursos de uma universidade federal, quem sabe, a gente pode ir para ali estudar conhecer um pouquinho desses cursos””, disse o professor.

Entre os estudantes, o impacto foi imediato. Stefany Azevedo, de 15 anos, aluna do 1° ano do ensino médio, ressaltou a importância de eventos como este para quem está começando a planejar seus planos para o futuro. "Eu tenho certeza que a feira ensina muito, principalmente para nós, estudantes do ensino médio, sobre o que a gente vai cursar no ensino superior e faz a gente ter mais desejo sobre o que aprender e ter paixão", comentou.

Na feira, ela descobriu um interesse no curso de Engenharia de Pesca. "Me identifiquei muito! São coisas que eu sei que eu posso fazer e coisas que eu sei que eu vou me dar muito bem fazendo", afirmou.

Para a aluna do 3° ano do ensino médio, Raiane Progênio, de 19 anos, a experiência confirmou o interesse que ela já tinha pelo curso de Medicina Veterinária. "Eu enchi eles de perguntas para eu saber mais sobre o curso. As respostas deles foram bem esclarecedoras, eu entendi tudinho, é um curso que eu quero muito fazer”, garante Raiane.

Texto: Bruno Chaves, jornalista, Ascom Ufra
João Dantas, estagiário de Jornalismo, Ascom Ufra

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