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#DiaDosNamorados: conheça técnicas de conquistas de animais amazônicos

  • Published: Friday, 12 June 2026 11:02
  • Last Updated: Friday, 12 June 2026 17:31

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Está no ar... na terra, nos rios. Os rituais de cortejo são um capítulo importante na reprodução dos animais e alguns realmente são dedicados nesse assunto. Para se destacar na hora da conquista, tem inseto cantor, pássaro dançarino, peixe que prepara ninho e cuida dos filhotes. Quando o assunto é encontrar um parceiro, os animais amazônicos usam estratégias curiosas e impressionantes. Destacamos aqui algumas dessas espécies amazônicas, de acordo com informações de pesquisadores da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra).

Segundo a professora, Wlaisa Sampaio, coordenadora do Grupo de Estudos de Animais Selvagens (Geas Carajás) do campus Parauapebas, o Macaco-de-cheiro (Saimiri collinsi) é um primata exclusivo do bioma amazônico, com distribuição ao sul do rio Amazonas. É um primata de reprodução sazonal marcante em que os machos do gênero exibem uma condição única na natureza conhecida como fenômeno fattening.

No início da estação de cópulas os machos acumulam gordura e água nos ombros e tórax o que lhes conferem uma aparência de gordo e inchado, o que atrai a atenção das fêmeas. Os machos mais gordos também se exibem e impõem sua dominância, competindo com os mais machos magros. Esse fenômeno vai além da seleção sexual pré-colulatória, mas pode ter relação com a qualidade seminal. Ao que tudo indica quanto mais gordo, mais sexy e com isso melhor a qualidade seminal aumentado as chances de gerar prole.

Outro animal exclusivo do bioma amazônico é o Galo-da-serra (Rupicola rupicola), uma espécie que vive em florestas úmidas. Presente nas serras fronteiriças do norte do Brasil, que compreende desde o Amapá até a região do alto rio Negro, passando por Roraima, e também em Presidente Figueiredo (AM), é encontrado na Guiana Francesa, Guiana, Venezuela, Colômbia.

Quando um Galo-da-Serra quer conquistar uma fêmea, cerca de 15 ou mais machos se reúnem para se exibir e iniciar uma competição de dança. O ritual é conhecido como Lek. Quando a fêmea aparece, é sinal da disputa começar e cada um se exibe em um palquinho particular. Depois de observar, ela escolhe o parceiro de que mais gosta, pousando atrás dele para mordiscar suas penas ou bicá-lo no pescoço. Às vezes os machos estão tão empolgados na competição que até esquecem o motivo pelo qual estão fazendo o Lek, e a fêmea tem que se esforçar para chamar a atenção do parceiro. 

É nas águas que os rituais de conquista mais se diferenciam e envolvem desde "danças" sincronizadas a serenatas elétricas. Segundo o professor Bruno Prudente, coordenador do Programa de pós-graduação em Aquicultura e recursos aquáticos tropicais (PPGAqRAT), os peixes são o grupo de vertebrados com a maior variedade de estratégias reprodutivas, utilizando o cortejo para reconhecer parceiros da mesma espécie, avaliar sua qualidade e sincronizar o momento exato da reprodução.

Os Tucunaré (Cichla sp) são grandes galãs das águas amazônicas. Durante o período reprodutivo, o macho passa por uma transformação visual: suas cores tornam-se muito mais vibrantes, em tons de azul e verde. O ritual de conquista inclui a limpeza cuidadosa de um "ninho", onde os ovos irão se desenvolver. Ele também desenvolve uma estrutura peculiar na cabeça, uma protuberância conhecida como gibosidade. A estrutura atrai a fêmea e serve como reserva de energia, já que o macho se dedicará intensamente ao cuidado dos filhotes (após a fecundação) e vai se alimentar pouco. É o macho quem protege a prole, colocando os alevinos (filhotes) até dentro da própria boca e mantendo-os seguros até que qualquer perigo passe.

Já os peixes elétricos (Electrophorus sp), como o famoso Poraquê, utilizam descargas elétricas de baixa intensidade para o cortejo. Com as águas turvas da Amazônia, onde a visão é limitada, a sedução acontece por meio da sincronização de sinais elétricos. O macho e a fêmea emitem esses sinais para reconhecer seu parceiro e posteriormente saberem que estão aptos a reproduzirem. É como se tivessem uma rádio particular para declarar seu interesse amoroso. Quando estão na mesma frequência, o romance acontece.

Enquanto isso, ciclídeos como o Acará-bandeira (Pterophyllum sp) e Piabinhas (caracídeos) fazem uma dança sincronizada e em determinado momento tremem o corpo e vibram para sincronizar o momento da desova. 

Segundo a professora Telma Batista o discente Pedro Silva, do Museu de Entomologia da Ufra, campus Belém, entre os insetos amazônicos, a cantoria e a força se destacam.

No caso do grilo-arbóreo (Oecanthus buxixu) o ritual de conquista é a partir de uma grande cantoria. O macho emite sons característicos por meio da estridulação, mecanismo no qual uma das asas anteriores é esfregada contra a outra. Esse canto funciona como sinal de comunicação e possui padrões específicos para cada espécie, permitindo que as fêmeas identifiquem parceiros adequados, pois o canto também pode transmitir informações sobre o tamanho do macho, vigor e condição física. Quando uma fêmea responde ao chamado e se aproxima, o macho pode alterar o ritmo e a intensidade do canto, produzindo sinais mais curtos e direcionados ao cortejo. Quanto melhor a cantoria, mais fêmeas são atraídas, aumentando suas chances de reprodução. 

O grilo-arbóreo Oecanthus buxixu é uma espécie encontrada na Floresta Amazônica brasileira, especialmente no estado do Amazonas. A comunicação sonora desempenha papel fundamental no sucesso reprodutivo desses insetos. Em ambientes florestais densos, como a Amazônia, a utilização do som é uma estratégia particularmente eficiente, pois permite a comunicação mesmo quando os indivíduos estão ocultos entre a vegetação.

No caso do besouro-rinoceronte (Megaceras crassum), quando os machos dos Besouros Rinocerontes disputam a mesma fêmea, eles iniciam uma luta corporal com o uso dos chifres e tentam levantar-se ou derrubar um ao outro. Embora pareçam agressivas, essas lutas raramente resultam em ferimentos graves; seu principal propósito é determinar qual indivíduo é mais forte e capaz de ter acesso à fêmea. Os chifres são resultado de um processo evolutivo no qual características que aumentam o sucesso reprodutivo tendem a ser mais favorecidas ao longo das gerações. Ou seja, machos com chifres maiores e mais desenvolvidos possuem vantagens nas disputas e tem maior probabilidade de deixar descendentes.

Essa é uma espécie encontrada na Amazônia brasileira, habita ambientes florestais e áreas com grande quantidade de matéria orgânica em decomposição. Pertencente à subfamília Dynastinae, esse besouro chama a atenção pelo chifre desenvolvido dos machos, chamado de “Córneo”, é uma estrutura que desempenha papel fundamental em seu comportamento reprodutivo e atração da fêmea, enquanto as fêmeas não possuem chifres.

Texto: Vanessa Monteiro, jornalista, Ascom Ufra

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