Grilos: conheça mais sobre esses insetos, frequentes no período chuvoso
Basta cair uma chuva que alguns “visitantes” começam a aparecer. No chamado inverno amazônico, o dia a dia ganha novos integrantes, especialmente insetos, entre eles os grilos. Recentemente, em Belém, muitas pessoas tem relatado o aparecimento constante e massivo de grilos dentro das residências. Mas qual a relação deles com a chuva? Segundo a professora Telma Batista, entomologista da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), os grilos fazem galerias e túneis no solo, onde se reproduzem e depositam os ovos. Ela explica que o aumento deles também pode estar relacionado a mudanças de estação e a períodos mais longos de seca. “Com as chuvas essas galerias e túneis alagam, então a tendência deles é sair para buscar alimento e abrigo, Todos os anos ocorre esse movimento.”, diz a professora.

Grilos procuram abrigo durante o período chuvoso. Foto: Vanessa Monteiro
A professora explica que os grilos se alimentam de raízes, folhas, matéria orgânica e costumam aparecer perto de hortas e jardins. Insetos noturnos, eles são atraídos pela luz. “Na busca por abrigo, quando acendemos a luz ao final do dia ele tende a aparecer dentro das casas, já que são atraídos pela luz, com isso tendem a ir para dentro das casas”, diz. E eles aproveitam correntes de ar para o deslocamento. “Ele voam e conseguem pegar as correntes de ar, então por isso podem ser encontrados em apartamentos em andares mais altos”, diz.

Barulho dos grilos é feito pelos machos para cortejar as fêmeas. Foto: Vanessa Monteiro
Segundo a professora Telma Batista, é nesse período que também ocorrem os acasalamentos, e que o cri-cri característico é nada mais que um cortejo dos grilos machos. “Eles aproveitam para se reproduzir, por isso fazem o que chamamos de estridulação, que é aquele som característico. É o macho que faz esse som porque está tentando atrair a fêmea. Essa fêmea consegue colocar até 100 ovos”, diz.

Professora Telma Batista explica que os grilos não são transmissores de doenças e nem apresentam risco de ataque. Foto: Vanessa Monteiro
A professora explica que o grilo não é transmissor de doenças e não é um inseto que provoque algum tipo de ataque, embora seja indicado evitar o contato. “Eles não oferecem riscos, recomendamos evitar o contato somente porque eles podem carregar alguns microorganismos nas pernas. O indicado é não usar inseticida, porque não é um animal que traz prejuízos ou doenças. As pessoas podem tentar expulsá-los ou usar repelentes naturais, como a Citronela”, recomenda. Embora sejam considerados pragas na agricultura, é diferente do que ocorre no ambiente urbano, segundo a professora. “Eles sempre estão presentes, mas como ficam guardados no solo em outros períodos do ano, as pessoas não os vêem com frequência. Os produtores rurais são acostumados a lidar com eles em todas as fases do ano, mas no ambiente urbano é somente nesse período chuvoso que eles aparecem. Então não precisa entrar em pânico, porque com o tempo ele tende a ir embora”, orienta.

Grilos fazem parte da macrofauna do solo e são importantes para manter o solo saudável. Foto: Vanessa Monteiro
Ela explica que esses insetos são importantes para a manutenção do ecossistema. “Como o grilo faz galerias no solo, isso permite com que o solo fique mais oxigenado, vivo. O grilo faz parte dessa macrofauna do solo, assim como outros insetos, que também túneis e auxiliam na nutrição desse solo, então são muito importantes”, diz.
Curiosidades
Se em algumas culturas os grilos são sinal de prosperidade, o que muita gente não sabe é que os grilos também são uma poderosa fonte de proteína e a criação de grilos é um mercado que se desenvolveu rapidamente nos últimos anos no Sudeste Asiático, como indicam dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Ainda de acordo com a FAO, mais de 1.900 espécies de insetos comestíveis são consumidas em todo o mundo, entre eles os grilos. Eles são considerados uma fonte alternativa de proteína às carnes convencionais. “Os grilos tem em torno de 60% de proteína, por isso são muito apreciados na gastronomia de alguns países, inclusive já são utilizados em suplementos alimentares”, diz a professora.
Texto e fotos: Vanessa Monteiro, jornalista, Ascom Ufra
Fao: https://www.fao.org/newsroom/story/-Worm-up-to-the-idea-of-edible-insects/en
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