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Ultimas Notícias

Vírus da Raiva: o que tu sabes sobre ele?

  • Publicado: Sexta, 22 de Julho de 2022, 10h39
  • Última atualização em Segunda, 25 de Julho de 2022, 11h37

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Os recentes casos do vírus da raiva detectados em morcegos na cidade de Belém, e os casos de raiva humana em outros estados brasileiros mantém em alerta os órgãos de saúde. Conforme o boletim de epidemiologia do Ministério da Saúde divulgado no mês de junho, no período de 2010 a 2022, foram registrados 44 casos de raiva humana no país. Em 2018 o Pará registrou 10 casos relacionados a um surto em área ribeirinha do município de Melgaço, com transmissão por morcegos, segundo o mesmo boletim. Na capital paraense não há registro da doença em humanos desde 1987, conforme dados da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma). 

A raiva é uma doença causada por um vírus do gênero Lyssavirus, da família Rabhdoviridae e que já está entre nós há centenas de anos, como explica a médica veterinária Jacqueline da Silva Brito, residente do Setor de Medicina Veterinária Preventiva da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA). “Esses vírus possuem um envelope lipídico que envolve seu genoma de RNA. Eles têm sido isolados em todo o mundo, análises genéticas sugerem que os vírus circulantes atualmente podem ter se originado em cães domésticos do sul do subcontinente indiano há 1.500 anos e possivelmente foi introduzido no Brasil por volta do final do século XIX e no início do século XX”, explica a médica. A forma mais comum de transmissão ao homem é a mordedura, mas a médica veterinária explica que a transmissão também pode ocorrer por arranhadura ou lambedura pelo animal infectado. “O vírus da raiva está presente na saliva do animal infectado e penetra em um hospedeiro susceptível pela pele ou por mucosas. A raiva em humanos e animais é causada principalmente por mordida de animal infectado com o vírus, sendo os morcegos os mais comumente envolvidos, seguidos por acidentes com cães e gatos”, alerta. 

Segundo Jacqueline Brito, os morcegos podem alojar o vírus da raiva por longos períodos, e também adoecem, mesmo sendo menos susceptíveis. “Eles podem apresentar uma fase de excitabilidade seguida de paralisia, principalmente das asas, o que faz com que deixem de voar. Portanto deve-se suspeitar de morcegos, hematófagos ou não, encontrados em locais e horários não habituais e que não sejam capazes de se desviar de obstáculos ou mesmo de voar”, alerta. Ela alerta para as alterações no ecossistema desses animais, pois a presença de ações do homem aproximam essas espécies e podem representar risco de infecção pelo vírus. “Há como deduzir que o animal possa estar infectado e há como prevenir sua aproximação com o ser humano. A principal espécie envolvida na transmissão do vírus é o morcego hematófago Desmodus rotundus, mas outras espécies insetívoras e os frutívoros também são aptos a transmissão”.

Sintomas

O vírus da raiva tem afinidade pelo sistema nervoso, por isso alguns sintomas mais comuns são os neurológicos. "No Brasil já foram relatados dois casos de cura clínica da doença, mas os pacientes ficaram com sequelas. A raiva é considerada invariavelmente fatal após o início dos sinais clínicos. Em animais, da mesma forma, a doença é fatal e não há indicação de tratamento”, diz.Ela explica que em animais é possível observar ansiedade, isolamento, febre, hiper-reatividade a estímulos auditivos e visuais, além de agressividade, dilatação da pupila, fotofobia, vocalização constante, hábito de morder objetos imaginários, falta de coordenação muscular, desorientação ou convulsões generalizadas. “O animal progride então para a fase paralítica que pode durar de 3 a 4 dias, seguida de coma e morte por paralisia respiratória”, diz.

Já em humanos a apresentação clínica e a duração dos sintomas são similares aos animais, com febre, cefaleia, ansiedade, nervosismo e hipersensibilidade no local da mordida (inoculação do vírus). “Além de excitabilidade, inquietação, como mudanças de comportamento, salivação excessiva, convulsões e paradas respiratórias que levam a morte do paciente”.

O que fazer se houver contato com um animal que esteja com essas características?

Caso um animal nessas condições seja avistado é necessário isolá-lo e procurar os serviços de saúde de animal, como o Centro de Controle de Zoonoses. “Apenas o médico-veterinário poderá avaliar o animal e identificar a suspeita da doença, notificando assim aos serviços de saúde”, alerta. 

O animal deve ficar isolado e deve-se procurar os serviços de saúde de animal, como o Centro de Controle de Zoonoses. “Em geral, cães e gatos com as vacinas antirrábica em dia, não constituem preocupação verdadeira com o risco de transmissão, embora o fato de o animal estar com a vacinação em dia não elimine a necessidade de acompanhamento”, diz. “Não se deve jamais matar o animal e sim deixá-lo em observação, por um período de dez dias, recebendo água e comida normalmente e em local seguro. Se o animal não adoecer neste intervalo, é porque ele não estava contaminante no dia da mordida, não havendo, portanto, risco algum de raiva para a pessoa. Se o animal adoecer, morrer, desaparecer ou mudar de comportamento, comunicar o fato imediatamente ao Serviço de Saúde local”, afirma. 

Caso a captura do animal não seja viável (animal silvestre ou errante), o tratamento profilático deve ser indicado, partindo do princípio que este esteja contaminado com o vírus da raiva. Essas são recomendações do Ministério da Saúde. Se a pessoa foi mordida por um animal é preciso lavar imediatamente o ferimento com água e sabão e procurar um serviço de saúde para orientações mais direcionadas de acordo com o animal em questão (cão, gato, morcego). Deve-se analisar a necessidade de efetuar um protocolo vacinal pós-exposição, e a possibilidade de realizar a pesquisa do vírus rábico no animal.

Em humanos, a vacina e o soro estão disponíveis pelo Sistema Único de Saúde (SUS) nas unidades básicas de saúde e unidades do sistema de urgência e emergência, de acordo com cada município e respeitando o protocolo específico para cada situação.

Prevenção

A médica veterinária indica alguns cuidados necessários para evitar a circulação do vírus, o principal deles é a vacinação anual dos animais contra a raiva. “A vacina é produzida com vírus inativado e confere boa imunidade contra o vírus rábico. Os cães e gatos de três a quatro meses de idade já podem ser vacinados com uma dose da vacina, desde que estejam clinicamente saudáveis”, diz. Anualmente os animais devem fazer uma dose de reforço. Os herbívoros (bovinos, bubalinos, ovinos, caprinos e equídeos), a partir de três meses de idade, também devem ser vacinados. Para animais, a vacina está disponível comercialmente em estabelecimentos veterinários (casas agropecuárias, clínicas, pet shops). As secretarias de saúde dos municípios também realizam campanhas de vacinação gratuita de cães e gatos. 

“Outra indicação é telar o ambiente doméstico, para evitar a entrada de morcegos e outros animais indesejáveis. Ter cuidado ao se aproximar de cães e gatos errantes quando estiverem se alimentando ou com filhotes, prevenindo assim acidentes com mordedura. E nunca manipular morcegos ou outros animais silvestres diretamente, principalmente quando estiverem caídos no chão ou encontrados em situações não habituais”, alerta.

Os profissionais com risco de exposição ao vírus, como os médicos veterinários e estudantes da medicina veterinária, laboratoristas, biólogos entre outros, é indicado fazer o esquema de vacinação pré-exposição, sendo recomendado três doses da vacina antirrábica. 

Texto: Vanessa Monteiro, com informações de Jacqueline Brito.

Dados sobre o vírus no Brasil: Boletim epidemiológico do Ministério da Saúde e novas orientações sobre o vírus da raiva: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2022./julho/ministerio-da-saude-divulga-novos-documentos-com-orientacoes-sobre-a-raiva. Acesso em 20/07/2022

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