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Conheça o Manejaí: projeto de manejo sustentável do açaí

  • Publicado: Sexta, 04 de Setembro de 2020, 18h29
  • Última atualização em Sábado, 05 de Setembro de 2020, 11h33

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Neste sábado(05) é comemorado o dia estadual do Açaí, que tem como maior produtor o estado do Pará. Para celebrar a data, apresentamos um dos projetos que vem fazendo diferença na vida de quem produz o fruto na Amazônia. Conheça o Manejaí!

Trabalhar o açaí desde o conhecimento das comunidades tradicionais e povos da floresta, até a organização social para transformar o açaí e gerar renda. Esse é o objetivo do Manejaí - Centro de Referência em Manejo de Açaizais no Marajó, um dos resultados do Projeto Bem Diverso (Embrapa/PNUD/GEF) do qual a Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) é uma das principais parceiras. A Ufra participa do comitê gestor do Manejaí Marajó desde 2018 (que inclui toda a mesorregião do Marajó) e atualmente está à frente da coordenação do Manejaí Belém, que tem foco na região de Metropolitana de Belém com abrangência no Nordeste paraense.

No Manejaí, pesquisadores, técnicos e alunos do Programa de Educação Tutorial de Engenharia Florestal (PET Florestal) viajam até as comunidades para realizar capacitações sobre manejo e mínimo impacto para produção sustentável de açaí nativo, tendo como público alvo os líderes comunitários e outros agentes daquela região. Além disso, a equipe do projeto também desenvolve pesquisas sobre Ecologia, uso e conservação das várzeas sob manejo.

A formação de facilitadores em Manejo de mínimo impacto de várzeas para produção de açaí inclui uma mochila, contendo uma cartilha com todas as orientações sobre práticas sustentáveis, como conduzir o manejo, a necessidade de distribuir as espécies, ferramentas, e outros produtor. Com a capacitação, os facilitadores devem transmitir o conhecimento adquirido para os demais manejadores de açaí e produtores.

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Foto: Vinícius Braga

De acordo com a professora Gracialda Ferreira, coordenadora do Manejaí Belém e membro do comitê gestor do Manejaí Marajó, o açaí é a principal fonte de renda dessas famílias, que esperam a safra do açaí para garantir melhoria na renda. Nas áreas manejadas com as técnicas repassadas aos manejadores em regime de mutirão, a intenção é aumentar a  colheita, que costuma ser de 1T de açaí por hectare durante a safra. Com o manejo adequado a intenção é que a comunidade consiga, em três ou quatro anos após o manejo, retirar 6T por hectare. “Nossa intenção é que o conhecimento acadêmico chegue nas comunidades fazendo com elas comecem a produzir mais e melhor, e de forma independente. Que eles possam se movimentar e se organizar, pois com o conhecimento eles começam a se empoderar, a entender, passam a conhecer as tecnologias sociais que estão disponíveis, a conseguir recurso, ter renda, passam a ter acesso à crédito. Nas nossas conversas, eles sempre falam que buscam uma moradia decente com um banheiro digno. Embora o saneamento seja um dever do estado, com o conhecimento adquirido e o acesso à renda, eles podem ter o que é o básico”, diz.

Segundo a coordenadora, a safra do açaí gera uma rede de empregos para grupos que dependem do açaí, como os “apanhadores”, que são pessoas de famílias que não tem área de plantio da palmeira do açaí, mas que são contratados por outras famílias para a retirada do fruto. A partir do fruto, das práticas que já possuem e da capacitação das instituições envolvidas, eles também passaram a fabricar e vender diversos produtos, como a coxinha de açaí, e bolos e doces, feitos tanto de açaí, quanto de miriti e tucumã. Com o projeto a intenção também é diminuir os atravessadores no momento da venda do fruto, fazendo com que os produtores vendam diretamente para as indústrias. Outro objetivo é conseguir criar agroindústrias nas comunidades, para beneficiamento da polpa da fruta na própria comunidade, garantindo a segurança alimentar a partir da análise laboratorial do produto e com selo de qualidade.

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Foto: Abner Reis

Um dos diferenciais do projeto é que universidade e a comunidade trabalham juntos, com troca de conhecimentos. “Se você chegar impondo um conhecimento, será difícil convencer, e a técnica não vai ser adotada pela comunidade. Nossa intenção é primeiro entender o que eles fazem e como eles fazem, e sugerir que testem também as nossas propostas. A partir daí eles verificam se gostam do resultado e nós auxiliamos nos treinamentos”, diz a professora Gracialda Ferreira.

O Manejaí é fruto do projeto “Bem Diverso” (Embrapa/PNUD/GEF) que tem como objetivo contribuir para o desenvolvimento sustentável em seis Territórios da Cidadania - Alto Acre e Capixaba; Alto Rio Pardo; Sertão do São Francisco; Médio Mearim; Sobral e Marajó, localizados em três biomas: Cerrado, Caatinga e Amazônia. No Marajó o Bem Diverso atua em 13 municípios e o Manejaí iniciou suas ações iniciadas na comunidade Santo Ezequiel Moreno, no PEAEx Acuti Pereira, em Portel. A comunidade foi escolhida pela organização de forma independente que resultou a criação do fundo Solidário Açaí, onde os comunitários constituíram um fundo a partir da colheita da safra do açaí que é utilizado para obras estruturais comunitárias. Os resultados têm sido tão positivos que a equipe do projeto já foi convidada para ministrar capacitações em outros estados, como em Manaus no Amazonas.

O Marajó compreende 16 municípios no Pará, 10 milhões de hectares e cerca de 37 mil famílias de pequenos agricultores. O desmatamento para a produção de madeira serrada; a exploração excessiva de açaí; o uso do fogo na agricultura de subsistência; o manejo inadequado das florestas, aliados as dificuldades de acesso a educação formal, políticas públicas e a créditos são algumas das principais dificuldades encontradas para manter a biodiversidade na região.

Texto: Vanessa Monteiro, jornalista, Ascom Ufra.

Com informações da professora Gracialda Ferreira e projeto Manejaí (https://www.manejai.com.br)

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