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Plantas ornamentais podem ser tóxicas para cães e gatos

  • Publicado: Quinta, 13 de Agosto de 2020, 14h04
  • Última atualização em Quinta, 13 de Agosto de 2020, 14h07

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Elas purificam o ar, embelezam as residências, dizem que afastam “mal olhado” e são presença certeira na casa de muitos amazônidas. Porém, plantas como a Comigo-ninguém-pode, espada-de-são-jorge, arruda, mamona e pião roxo podem ser prejudiciais a uma parte dos membros da família: os cães e os gatos.  

“O cão acaba por ser mais suscetível à intoxicação por serem farejadores naturais. Já o hábito do gato em ser mais ‘seletivo’ na escolha do que vai ingerir pode sim favorecer a menor casuística quanto a essas intoxicações. Porém ambos são sensíveis a intoxicação”, diz a professora Deborah Oliveira, coordenadora do curso de Medicina Veterinária da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra).

De acordo com a professora, o ideal é que as plantas sejam tiradas do alcance do animal, por vasos suspensos ou cordas, ou ainda colocadas em local de difícil acesso para eles. E se for podar, ter cuidado e recolher os galhos, folhas e demais resíduos da planta que ficarem no local.

“A intoxicação pode ocorrer pela ingestão da folha, flor, caule ou sementes , também pelo contato com olhos , pele e mucosas e menos comum, por  inalação. Em cães é comum a intoxicação por ingestão, já gatos além da ingestão é comum que eles friccionem o corpo nas plantas”, explica a professora.

Por isso, é importante ficar alerta, logo aos primeiros sinais de intoxicação. Segundo a médica veterinária, os sintomas de intoxicação podem variar de acordo com a espécie de planta que causou a intoxicação , quantidade e forma de contaminação.

“Os principais sintomas ocasionados pela ingestão são a diarreia, vômito, dificuldade de engolir, asfixia, edema na boca, língua e lábios; salivação abundante, cólicas, abdominais intensas, parada cardíaca, hemorragia, tremores, convulsões, fraqueza extrema e sensação de queimação na boca. Já os sintomas por contato direto podem variar, de acordo com o local de contato, caso seja  nos olhos do animal, pode apresentar irritação nos olhos, conjuntivite e até  lesões na córnea; na pele ocorre irritação, prurido, pústulas e hiperemia, assim como na na boca e focinho,  pode ocorrer, salivação excessiva,  alguns tutores relatam que o animal  demonstra ”bater os dentes” e em alguns casos, as mucosas podem ficar arroxeadas,  e animal pode apresentar as extremidades frias e dificuldade respiratória”, diz.

Ao perceber os sintomas, é fundamental que o animal seja levado imediatamente ao médico veterinário. “Nós indicamos que o tutor recolha uma amostra da espécie de planta e leve junto com o animal ao veterinário  o mais rápido possível. Evitar induzir o vômito, pois pode piorar o quadro do animal, já que em algumas espécies de plantas a toxina é corrosiva. Em alguns casos pode-se enxaguar a boca e os olhos com água corrente, dar banho em caso de contato com a pele, mas são medidas apenas para aliviar o desconforto até chegar ao veterinário”, explica a professora, que também é coordenadora da Liga Acadêmica de Farmacologia Veterinária (Lafav), grupo formado por acadêmicos de medicina veterinária.

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equipe da Lafav durante um Prev-Ação

A Lafav é uma liga acadêmica voltada para a farmacologia veterinária, com foco em extensão. Foi a primeira liga acadêmica de medicina veterinária do Norte. E tem o intuito de aplicar o que foi aprendido em sala de aula e difundir o conhecimento sobre a farmacologia veterinária para a população em geral, a partir de uma visão mais prática e acessível sobre o assunto e com isso ampliar o processo de ensino-aprendizado-ensino dos estudantes membros. O grupo organiza ações sociais itinerantes, chamadas de “Prev Ação”, que ocorrem em locais de grande circulação, como shoppings e praças.

Com a pandemia, as ações itinerantes tiveram que ser adaptadas. “As Lives são adaptações das ações sociais presenciais, a Prev Ação. Como foi necessário se adequar a situação adversa atual, a realização de live foi o modo encontrado de interagir e levar a informação aos tutores de cães e gatos seguidores do projeto nas redes sociais. a Prev Ação conta com três temas abordados: Risco do uso de medicamentos sem prescrição veterinária, Domissanitários e seus efeitos tóxicos em cães e gatos e Intoxicação por plantas ornamentais e medicinais em cães e gatos. Os temas são escolhidos com base nos eventos anteriormente realizados, ocorrendo um rodízio nos três temas. Porém o feedback da população tem influência direta na escolha do próximo”, diz Ingrid Heidy, bolsista do Lafav.

Segundo a estudante, quanto maior o número de pessoas informadas sobre os riscos, maior a possibilidade de diminuir acidentes. “As intoxicações por plantas, medicamentos ou domissanitários são rotineiramente encontradas nas clínicas veterinárias, grande parte dessas ocorrências, acontece por desconhecimento do tutor dos riscos de intoxicação. A conscientização sobre esses perigos também pode ser realizada por estudantes capacitados, informando a população sobre os riscos e instruindo maneiras de prevenir, atuando assim na saúde preventiva animal”, diz.

Conheça algumas das principais espécies de plantas que podem causar intoxicação aos animais:

- “Comigo-ninguém-pode” (Dieffenbachia picta Schott), “espada-de-são-Jorge” (Dracaena trifasciata), “tajá” (Caladium bicolor), “copo-de-leite” (Zantedeschia aethiopica S.), “samambaia” (Nephrolepis polypodium), “costela-de-adão” (Monstera lennea K.): são espécies de plantas que possuem o oxalato de cálcio, microcristais  que ingeridos perfuram a mucosa oral e esofágica,  causando uma reação inflamatória local. Pode ocorrer edema de glote, e por conseguinte asfixia e  morte do animal.

- “Arruda”, “cala-boca”, “mão-aberta”, são outros exemplos de espécies de plantas consideradas místicas, mas que são tóxicas para animais.

- Mamona (Ricinus communis L.) e Pião Roxo (Jatropha curcas L.): são plantas que possuem toxalbumina. As lectinas (ricina e curcina) são liberadas quando a semente são mastigadas e ligam-se à parede gastrointestinal e depois fazem com que a toxina entre na célula e cause a morte celular, então o animal pode apresentar hipotensão, dispnéia, arritmia, parada cardíaca; evolução para desidratação grave, choque, distúrbios hidroeletrolíticos, torpor, hiporreflexia, coma; pode ocorrer insuficiência renal. Além disso, a curcina causa um distúrbio homeostático, impedindo que a célula capte cálcio do meio e causando distúrbios de coagulação. O Pião Roxo possui ainda substâncias que favorecem o aparecimento de dermatites.

- Folha-da-fortuna (Kalanchoe spp), espirradeira (Nerium oleander): são plantas que possuem os glicosídeos cardiotóxicos, que são substâncias que causam disrritmias cardíacas, hipotermia e morte, além de distúrbios gastrointestinais.

- Chumbinho (Lantana camara): possui  como toxina o lantadeno A e B, os lantadenos A são mais tóxicos e podem causar lesões no fígado e colestase, obstruindo a passagem da bile, fazendo que uma substância chamada filoeritrina se acumule no organismo em especial na pele, causando dermatite severa por exacerbar a sensibilidade a luz (fotossensibilidade).

- Bico-de-papagaio (Euphorbia pulcherrima Willd) e coroa-de-cristo (Euphorbia mili): possuem o látex irritante que, por contato, pode causar Irritação de pele e mucosas com hiperemia ou vesículas, pústulas, prurido, conjuntivite. Por ingestão, causa salivação excessiva, dificuldade de deglutição, edema de lábios e língua, náuseas, vômito e gastrenterite.

- Aveloz (Euphorbia tirucalli L.), possui no seu látex as toxinas diterpenóides, ésteres diterpênicos de forbol, ingenanos, tiglianos, dafnanos e dafnanos aromáticos, que causam irritação e ação corrosiva na boca e nos olhos, podendo levar a cegueira.

- Arnica (Arnica montana L.): apesar de ter excelentes propriedades medicinais. É uma planta que tem como principal tóxico os cumarinas e triterpenos (arnidiol, pradiol e amisterina). Se ingerida  pode causar náuseas, vômito, irritação gástrica e dores abdominais; compromete fígado e rins; estimula contrações uterinas.

- Mastruz (Chenopodium ambrosiodes L): a toxicidade está nas sementes e o princípio tóxico é o ascaridol;

- Sabugueiro (Sambucus australis) o princípio tóxico é o glicosídeo cianogênico sambunigrina.

- Babosa (Aloe vera), excelente cicatrizante, porém com princípios tóxicos na sua seiva e folhas  (antraquinonas e barbaloínas). Se ingerida em grande quantidade, pode ser um potente laxante e causar distúrbios gastrointestinais nos animais. Já por contato é uma espécie que pode causar conjuntivite e bolhas na mucosa oral. Vale ressaltar que existem diferentes espécies de babosa.

Texto: Vanessa Monteiro, jornalista, Ascom Ufra. Com informações da Lafav (@lafav.ufra)

foto: Lafav Ufra

 

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