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Ultimas Notícias

Pesquisadores estão mapeando a diversidade linguística e cultural no Vale do Rio Acará

  • Publicado: Quarta, 22 de Julho de 2020, 12h30
  • Última atualização em Quarta, 22 de Julho de 2020, 14h32

As pesquisas são realizadas a partir do projeto Geofala - Geossociolinguística dos Falares Amazônicos e embasam a elaboração de vários atlas linguísticos em andamento. Entre eles está o Atlas Linguístico-etnografico do Vale do Acará (ALEVA). O projeto foi criado e é coordenado pelo linguista Regis José da Cunha Guedes, professor adjunto da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) campus de Tomé-Açu.

“A ideia surgiu quando percebi a rica diversidade etno-linguística da região, que tem a presença de uma terra indígena Tembé, diversas comunidades quilombolas, e uma das maiores comunidades de imigração japonesa do Brasil. Além dos caboclos, ribeirinhos e do grande contingente de outros imigrantes atraídos pela economia local do município”, diz o professor. No projeto Geofala são desenvolvidas atividades nas áreas da Dialetologia e Sociolinguística (estudo sistemático dos dialetos considerando as variáveis geográfica e sociais). Seguindo essa percepção, os estudos analisam que as migrações e as alterações na composição de uma comunidade de fala deixam suas marcas nas línguas faladas por ela.

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Para o estudo foram coletados dados em seis comunidades, sendo 02 comunidades de imigração japonesas, 02 aldeias indígenas e 02 comunidades quilombolas. Os pesquisadores visitam a comunidade, participam de eventos e selecionam seis entrevistados em cada comunidade, sendo sempre pessoas de faixa etárias diferentes, com critérios já estabelecidos na metodologia da pesquisa. "Nós conversamos, fazemos questionários, pedimos para que façam um relato de experiência, que nos contem alguma história tradicional da cultura deles. Na nossa pesquisa nós trabalhamos estudando a variação lexical, ou seja, as palavras que se usam naquela localidade, por aquelas pessoas, para denominar conceitos específicos. Também registramos a fonética, o som da língua, como se fosse o 'sotaque' da comunidade", diz o professor.

Esse material gravado passa então por uma triagem e organização dos bancos de dados, e vão compor mapas com a representação desses falares. Os mapas formam os atlas linguísticos. "São estudos que estão em andamento, a meta agora é avançar com a finalização da coleta de dados, do mapeamento e publicação do ALEVA”, explica. O projeto tem a participação de outros professores da Ufra e de outras instituições, além de vários alunos do campus de Tomé-Açu, que desenvolvem atividades de iniciação científica.

De acordo com o professor, esse tipo de pesquisa dá visibilidade à cultura de comunidades tradicionais, como indígenas e quilombolas. “Os falares amazônicos de modo geral são essenciais, tanto para a preservação da diversidade linguística e cultural da nossa região, quanto para a ampliação do conhecimento científico que se têm sobre o português brasileiro e as demais línguas faladas no Brasil”, diz.

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Como resultados das pesquisas, diversos trabalhos já foram elaborados, apresentados e publicados em eventos científicos. Recentemente foi publicado um artigo na Revista Brasileira de Linguística Antropológica (Qualis A1) da UnB (disponível em:<https://periodicos.unb.br/index.php/ling/article/view/29735>), além aceite de outro artigo na Revista Delta ( Qualis A1) da PUC/SP.

O professor atua também como pesquisador no grupo GeoLinTerm (PPGL/UFPA), nos projetos: Atlas Linguístico do Português em Áreas Indígenas (ALiPAI); o projeto nacional Atlas Linguístico do Brasil (ALiB) com sede na UFBA, em parceria com mais de 27 universidades nacionais e internacionais; o projeto nacional Atlas Linguístico Sonoro das Línguas Indígenas do Brasil (ASLIB), sediado na UnB e UFPA; e o Atlas Léxico-Semântico do Pará (ALeSPA) sediado na UFPA.

Texto: Vanessa Monteiro, jornalista, Ascom Ufra

Fotos: arquivo do professor Regis José da Cunha Guedes

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