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O que é “Nuvem de gafanhotos”? Pesquisador da Ufra fala sobre o assunto

  • Publicado: Segunda, 13 de Julho de 2020, 12h56
  • Última atualização em Segunda, 13 de Julho de 2020, 13h07

Desde junho, quando uma nuvem de gafanhotos se originou no Paraguai, os países vizinhos vem tomando precauções e medidas para evitar que a praga alcance as fronteiras. Os insetos, no entanto, já alcançaram o território argentino. De acordo com o Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar da Argentina (Senasa), os gafanhotos podem botar entre 80 a 120 ovos por dia. E um quilômetro quadrado desses indivíduos pode ter até 40 milhões de insetos, que consomem em um dia pastagens equivalentes ao que 2 mil vacas ou 350 mil pessoas comem.

Diretamente, o inseto não traz nenhum risco aos humanos e nem é vetor de doenças. Mas uma nuvem consegue percorrer grandes extensões, o que se torna desastroso para a agricultura, e, consequentemente, para a economia da região.  O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) está em alerta e embora exista a preocupação de que a nuvem chegue ao sul do Brasil, a probabilidade dos gafanhotos alcançarem a região amazônica é improvável, conforme diz o pesquisador Anderson Gonçalves da Silva, doutor em entomologia e professor na Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), campus Paragominas.  

“Além de vir perdendo força devido condições climáticas desfavoráveis, empurrando a nuvem para longe da fronteira brasileira, ainda na Argentina, foi realizado controle da população de gafanhotos pelo Senasa, com estimativa de 30% de eficácia, ou seja, controle de 30% da nuvem, que apresentava cerca de 400 milhões de indivíduos. Outra bateria de controle está programada para os próximos dias, em território argentino, o que reduzirá ainda mais sua quantidade. Caso chegue ao Brasil, será em número menor, devido aos controles efetuados em território argentino, também sendo controlados quimicamente no sul do Brasil, associados a distância que teriam que percorrer até o Pará, esses fatores impossibilitam sua possível chegada”, garante.

 

anderson

professor Anderson Gonçalves da Silva é doutor em entomologia (estudo dos insetos) e coordenador do Gemip - Grupo de Estudos em Manejo Integrado de Pragas

Segundo o pesquisador, que também é coordenador do Grupo de Estudos em Manejo Integrado de Pragas (Gemip/Ufra), estima-se que uma nuvem de gafanhotos migre com velocidade entre 10 e 15 quilômetros por dia, podendo ter seu deslocamento acelerado com a ação de ventos fortes, chegando a 100 quilômetros/dia. No Brasil, existem em torno de 750 espécies de gafanhotos, sendo que cerca 23 destas espécies teriam a capacidade de causar dano econômico em lavouras, com destaque para os do gênero Schistocerca.

“Os gafanhotos são insetos da Ordem Orthoptera, que se caracterizam principalmente por apresentarem o aparelho bucal apto para mastigar e pernas posteriores adaptadas para saltar, pertencem ao mesmo grupo das esperanças, grilos e paquinhas. Eles estão no ambiente, em condições normais não acarretam danos ou prejuízos, possuem sua função ecológica servindo de alimento para outros animais como insetos, anfíbios, répteis, aves e pequenos mamíferos, além de já ser inserido, em alguns locais, na alimentação humana, como recomendado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura. O desequilibro eleva sua população em um curto espaço de tempo, nesse cenário ele pode vir a acarretar problemas na agricultura, tornando-se pragas”, diz.

A nuvem de gafanhotos que está sendo monitorada é da espécie Schistocerca cancellata, encontrada principalmente na Bolívia, Paraguai e Argentina. Embora o pesquisador acredite ser muito difícil que a nuvem de gafanhotos chegue por aqui, a região do Marajó já registrou problemas pontuais, com a espécie de gafanhotos do tipo Tropidacris. “Nossa região já tem problemas com gafanhotos gregários, mas não nas proporções dessas que estamos observando atualmente no cone sul. Aqui nos últimos anos tivemos problemas severos com gafanhotos do gênero Tropidacris atacando pastagens, dendê, mandioca, dentre outras culturas, em algumas regiões do estado do Pará, com destaque para a Ilha do Marajó”, diz.

Uma nuvem de gafanhotos se forma principalmente em temperaturas elevadas, clima seco, alta oferta de alimento e poucos inimigos naturais, o que pode variar com o tempo. Essa formação pode ser prejudicial justamente pela velocidade com que os insetos consomem lavouras. “Os gafanhotos são vorazes, se alimentando de praticamente tudo o que é verde, pois são polífagos. Para agricultura são especialmente danosos para grãos, frutíferas, hortaliças, pastagens, espécies florestais, entre outras. Podem ser desastrosos para economia, justamente por se alimentarem de tudo o que veem pela frente”, afirma.

Prevenção

O pesquisador alerta que a prevenção ainda é o melhor caminho para que esses episódios não ocorram. “A prevenção é o equilíbrio do meio ambiente. Os surtos ocorrem de tempos em tempos, existem períodos que as condições estão favoráveis e não temos surtos de gafanhotos. Esses surtos estão associados geralmente a condições climáticas favoráveis, temperatura elevada, clima seco, ausência de predadores naturais e alta oferta de alimento. É importante sempre o monitoramento, buscando-se detectar o início da infestação, ocorrendo o problema a recomendação é algum controle, que pode ser químico ou biológico”.

O manejo adequado desses produtos químicos é importante quando a intervenção se dá no início da infestação. Em situações emergenciais, o mais recomendado é o uso de inseticidas de amplo espectro de ação e de alta toxidade, “o que acaba trazendo problemas para organismos não alvos como insetos benéficos, predadores e parasitóides, e abelhas, por exemplo”.

Em casos de problemas com inseto, o pesquisador diz que o primeiro passo é identificar a espécie, para que a melhor medida de contenção seja feita. “No caso de um problema desses, com gafanhotos, o primeiro passo seria a identificação da espécie, monitoramento da área do produtor visando o momento correto de controle, recomendação de controle, caso necessário, que poderia ser mecânico com catação manual e destruição dos gafanhotos (área pequena), controle biológico, usando fungos entomopatogênicos (que causam doenças em insetos), no caso à base de Beauveria bassiana e Metarhizium anisopliae, ou controle químico caso a infestação e os danos estejam avançados”, aconselha.

Gemip

O Grupo de Estudos em Manejo Integrados de Pragas (GEMIP) tem desenvolvido suas atividades de ensino na Universidade Federal Rural da Amazônia, campus Paragominas, desde 2014. Coordenado pelo professor Anderson da Silva, o projeto visa difundir o manejo integrado de pragas entre a comunidade, além de formar profissionais capacitados para atuarem na defesa fitossanitária da região amazônica. Pequenos produtores e agricultores podem pedir ajuda ao Gemip, que tem as atividades realizadas no campus da Ufra em Paragominas. Também é possível obter informações pelo site www.gemip.com.br e pelo email: contato@gemip.com.br

Texto: Vanessa Monteiro, jornalista, Ascom Ufra

Foto: arquivo professor Anderson Gonçalves

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