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Projeções da Ufra sobre Covid-19 no Pará apresentam mais de 95% de acerto, afirmam pesquisadores

  • Publicado: Terça, 23 de Junho de 2020, 11h09
  • Última atualização em Terça, 23 de Junho de 2020, 13h20

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Desde o mês de fevereiro, quando foram registrados os primeiros casos oficiais de Covid-19 no Brasil, pesquisadores da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) vêm desenvolvendo estudos para entender o comportamento da doença no estado do Pará. A partir do mês de abril, formou-se uma força-tarefa multicampi, em parceria com profissionais de outras instituições de pesquisa, para o desenvolvimento de um estudo único de previsão de novos casos de infecção e de óbitos no estado, bem como de estimativa de demanda por recursos hospitalares, tais como leitos de UTI, leitos clínicos, médicos, fisioterapeutas, enfermeiros e técnicos de enfermagem. 

A pesquisa resultou na criação do Boletim COVID-PA, um material divulgado semanalmente pela Ufra com projeções para sete dias sobre o comportamento da pandemia no estado e suas microrregiões. Desde maio, o boletim vem também servindo de referência técnico-científica para o Governo do Estado quanto às decisões a respeito das políticas públicas de enfrentamento ao novo coronavírus.

Utilizando metodologias de modelagem matemática e Redes Neurais Artificiais (RNA), o estudo se baseia nos dados oficiais fornecidos pela Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), mas também nos dados do Ministério da Saúde (MS) e em relatórios da Organização Mundial da Saúde (OMS). Para chegar à projeção, foram identificados os padrões comportamentais da sociedade, extraindo-se os casos ocorridos no estado do Pará para análise e comparando-os com os dados nacionais, continentais e mundiais.

As estimativas do Boletim COVID-PA vêm demonstrando um alto percentual de acerto, conforme demonstram os números oficiais. O professor Marcus Braga, um dos pesquisadores à frente do trabalho, explica que os primeiros cinco boletins publicados tiveram uma alta precisão. “Os valores previstos estão bem próximos aos números relatados pelos boletins da Sespa, mostrando a alta acurácia do modelo de previsão adotado”. Para se ter uma ideia, o Boletim COVID-PA nº 5, publicado no dia 10/06/2020, estimou 65.682 casos confirmados acumulados e 4.262 óbitos acumulados para o dia 12/06. Logo depois, o boletim oficial da Sespa do dia 12/06 reportou 67.476 casos e 4.181 óbitos acumulados. Isso demonstra um acerto de 97,35% para casos confirmados acumulados e 98,1% para óbitos acumulados.

O professor explica que o modelo adotado, utilizando inteligência artificial, tem uma comprovada capacidade de adaptabilidade a problemas de previsão epidemiológica, já tendo sido aplicado em estudos envolvendo outras epidemias, tais como de Ebola, Zika e Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS), que é também um tipo de coronavírus.     

Assim como previu o estudo, as microrregiões de Belém e Castanhal vêm apresentando tendência de queda na curva de contágios confirmados desde o final de abril e o estado do Pará como um todo também começa a apresentar um comportamento de queda. No entanto, a doença segue em expansão em algumas microrregiões do estado. Preocupada com a pandemia, a Prefeitura de Parauapebas solicitou à Ufra, ainda em março, apoio para estudar o avanço da doença na cidade. O professor da Ufra campus Parauapebas Rafael Fernandes é um dos pesquisadores que integram a força-tarefa. “O objetivo principal do Boletim é realizar projeções de curto prazo e fornecer informações quantitativas sobre a evolução da Covid-19 no Pará para que os responsáveis tenham critérios mais sólidos. Neste contexto, como o Boletim tem tido uma acurácia maior que 95% de acertos, podemos afirmar que o estudo atende aos seus objetivos e torna-se sólido como recurso para a tomada de decisões”. 

O professor Marcus Braga destaca que um dos papéis da academia diante de uma situação grave como esta é o de produzir estudos e gerar dados que possam servir à sociedade. “Este tipo de estudo pode servir como suporte para a tomada de decisões por parte do poder público. Por exemplo, a estimativa de leitos de UTI permite ao Governo se antecipar e realocar recursos entre as regiões mais e menos afetadas e pode, de fato, salvar vidas. A nossa satisfação é saber que isto está acontecendo”.

Parcerias

Além dos pesquisadores da própria Ufra, o Boletim COVID-19 conta com a contribuição de profissionais independentes da Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade Federal de Viçosa (UFV), Universidade Federal do Paraná (UFPR), Universidade do Estado do Pará (Uepa) e outro profissionais. Mais recentemente, também passou a receber apoio institucional da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), que acompanha a evolução da pandemia na região Oeste. 

A Ufopa contribui para o estudo através da interpretação técnica dos dados para as regiões de saúde Baixo Amazonas e Tapajós, onde estão localizados os seus campi, como explica a professora Luana Rodrigues. “Essa interpretação dos números é baseada pelo conhecimento técnico-científico, contrapondo-o às informações acerca da realidade local em termos de demanda hospitalar e políticas tomadas pelos gestores municipais”.

O Boletim COVID-PA, ressalta ela, aponta uma situação crítica para as regiões Baixo Amazonas e Tapajós quanto às projeções de casos, óbitos e recursos hospitalares. “Isto faz a região permanecer ainda na bandeira vermelha de risco, que indica aumento de casos e saturação de recursos, como, por exemplo, a suplementação de mais respiradores para a região, que podem suprir a necessidade apontada”, alerta.

O reitor da Ufopa, professor Hugo Diniz, também é um dos pesquisadores envolvidos no Boletim. Ele explica que a instituição começou a desenvolver um estudo que utiliza fontes de dados e métodos diferentes dos utilizados pela Ufra, mas que os resultados convergiram. “A metodologia utilizada pela Ufra é mais robusta do que a utilizada por nós. Nós utilizamos uma análise clássica e estritamente matemática dos números. Já o estudo da Ufra é multidisciplinar e possui uma abordagem mais ampla, incluindo dados hospitalares. Mesmo com diferentes metodologias, os estudos convergem em seus resultados”, afirma o reitor da Ufopa. “Gostaríamos de destacar que a qualidade do trabalho liderado pela Ufra conseguiu algo que as universidades sempre pleitearam, que é um espaço no fórum de decisões estratégicas das políticas públicas, o que é muito importante neste momento”, ressalta. 

Medidas preventivas

Os pesquisadores da Ufra ressaltam que o estudo não abrange uma previsão de dados subnotificados, devido à falta de documentação completa. Estudo da Universidade Federal de Pelotas (Ufpel) aponta que as subnotificações representam cerca de sete vezes os números oficiais. A proposta da Ufra é gerar informes semanais com projeções viáveis e rápidas, porém sem a pretensão de ser o único estudo sobre a pandemia no estado. Por esta razão, os profissionais alertam que as projeções devem ser utilizadas de forma complementar a pesquisas e estudos científicos desenvolvidos por outras instituições.   

Em todos os boletins e relatórios publicados pela Ufra, a equipe reafirma, ainda, a necessidade de se manter o distanciamento social como medida fundamental para o controle da pandemia e um eventual retorno à “normalidade”. A universidade recomenda a permanência de todos os cuidados individuais e coletivos à sociedade paraense, conforme orientações da OMS, para evitar novas ondas de contágio.  

Para conferir semanalmente o Boletim COVID-PA, acesse: https://proex.ufra.edu.br/index.php?option=com_content&view=article&id=265

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