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Médicas alertam para intoxicação em cães, gatos e crianças por contato com produtos de limpeza

  • Publicado: Quinta, 18 de Junho de 2020, 17h44
  • Última atualização em Quinta, 18 de Junho de 2020, 18h02

liveFarmavet

 

As práticas de higiene tem se mostrado um fator importante no enfrentamento à pandemia. Lavar as mãos, tomar banho e passar álcool em gel tem sido o conselho propagado pelos órgãos de saúde para evitar a transmissão do Covid-19. Mas o acesso à produtos de limpeza sem os cuidados necessários pode causar outro problema: a intoxicação, tanto de humanos, quanto de animais.

O assunto é tema de uma live que será transmitida nesta sexta-feira (19), às 16h, com a participação da médica veterinária Deborah Oliveira, e da médica pediatra Mariane Franco. A transmissão ocorre pelo instagram @farmavetcomufra, da Farmácia Veterinária Comunitária (Farmavetcom) da Universidade Federal Rural da Amazônia. O evento é uma realização da Farmavetcom e da Liga Acadêmica de Farmacologia Veterinária (Lafav) com apoio da Liga Acadêmica Paraense de Pediatria Clínica e Cirúrgica (LAPPECC).

Cães e Gatos

Os últimos dados do Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (SINITOX) revelam que os casos de intoxicação de animais domésticos por produtos de limpeza estão em segundo lugar nas causas de acidentes, perdendo apenas para a intoxicação por medicamentos.

Durante a pandemia, o uso e armazenamento dos produtos precisa ser observado na residência caso possua animais. “Embora não haja estatísticas oficiais sobre o assunto, neste período de pandemia  relatos de profissionais veterinários, que atuam na área de clínica médica de animais de cães e gatos, já observam crescimento do número de atendimentos a casos de pets com problemas de saúde relacionados a estes produtos , assim como a medicação feita por contra própria pelos tutores de animais”, diz a Dra. Deborah Oliveira, coordenadora do curso de Medicina Veterinária da UFRA e membro da Sociedade Brasileira de Farmacologia e Terapêutica.

Em 2018 uma pesquisa realizada pelo Laboratório de Farmacologia Veterinária da UFRA, com 300 tutores de animais, mostrou que aproximadamente 28% dos casos de intoxicação citados foram por acidentes com produtos de limpeza, sendo a água sanitária a substância mais envolvida.

Segundo a médica veterinária, entre os principais fatores que influenciam nesses acidentes está o fácil acesso dos animais aos locais onde estão os produtos. “Em nossas pesquisas percebemos que 78% da população entrevistada permite o livre acesso e circulação dos animais nos locais onde armazenam os produtos de limpeza, como lavanderia, cozinha e banheiros. E esses produtos também tem armazenamento inadequado, ou seja, ao alcance de animais, por muitas vezes utilizados não respeitando as recomendações do fabricante e não isolando os animais durante o uso”, diz.

A médica veterinária dá algumas dicas sobre como armazenar esses produtos de forma segura: “Sempre guarde os produtos em local seco; deixe fora do alcance dos animais, protegidos da luz, calor ou de aparelhos elétricos; Ao utilizar produtos de limpeza em pisos, não deixe o animal ter contato imediato com a superfície. Evite a compra de produtos sem identificação e origem desconhecida; pois em caso de intoxicação dificulta o diagnóstico e o tratamento, uma vez que nós veterinários, não sabemos que tipo de substância tem na formulação deste produto clandestino. Mantenha os animais afastados do local durante a limpeza do ambiente; Ao finalizar, retire o excesso do produto do local com água corrente antes de recolocar o animal no espaço”, diz.

Dependendo da substância e da via de contaminação os sinais da intoxicação podem variar ou confundir com outras doenças. “Em geral os sinais são de instalação aguda, isto é, logo após o contato com o produto. E podem variar de acordo com a via de contaminação, produto e quantidade a qual o animal foi exposto. Os sintomas vão desde salivação excessiva; vômito; agitação; lacrimejamento; vermelhidão nos olhos, boca e pele; coceira; tosse; espirros; respiração anormal; tremores, inconsciência; convulsão e morte”, adverte.

Mas os efeitos da intoxicação também podem ser também mais ou menos graves também de acordo com a idade, a espécie e a raça do animal. “Porque a sensibilidade é variável. Em relação a periculosidade, os produtos mais ácidos (pH mais baixo) e mais alcalinos (pH mais elevado) são os que causam complicações mais graves, podendo ocasionar deste irritação de mucosas e pele, até levar a óbito, devido ao alto potencial corrosivo desses produtos. Nesse grupo estão desinfetantes a base de fenóis, hipoclorito e iodo e os mais comuns, que são os alvejantes a base de cloro ou água oxigenada. É importante lembrar que já existem no mercado produtos hipoalergênicos, naturais e biodegradáveis, com potencial menos tóxico”, alerta.

Em caso de intoxicação do animal, a principal medida é procurar atendimento veterinário urgente. “Se o seu animal estiver apresentando qualquer alteração física ou comportamental, não tente induzir o vômito ou fazer com que ele beba leite ou clara de ovo; caso ele vomite naturalmente, colete com segurança com auxilio de luva uma amostra, pegue o rótulo do produto e leve  com seu animal imediatamente a um médico veterinário”, aconselha.

Segundo a professora, muitas vezes, o contato com o produto também pode ocorrer em momentos de brincadeira. E a curiosidade dos bichinhos incentiva esse contato. Mas a curiosidade não é só uma característica dos pets. As crianças também são as principais vítimas de intoxicação por produtos químicos em ambiente doméstico.

Crianças

O interesse, o cheiro dos produtos e as cores, fazem das crianças outro grupo de vítimas de intoxicação por produtos químicos. Com o isolamento social, o número de casos aumentou, e fez com que em maio, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgasse uma nota técnica, comunicando sobre o perigo da intoxicação por álcool em gel e alertando que as crianças são as vítimas mais comuns.

Segundo a Anvisa, só de janeiro a abril deste ano foram registrados 108 casos de intoxicação pelo produto, sendo 88 deles em crianças. O número é muito maior do que o total de casos registrados em 2018 (15 casos) e 2019 (17 casos). A nota foi feita de acordo com dados dos Centros de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox).

De acordo com a Dra.Mariane Franco, professora do curso de Medicina da Universidade do Estado do Pará (UEPA) e membro do comitê de pediatria do Conselho Federal de Medicina, a intoxicação por produtos de limpeza ocupa o terceiro lugar no ranking de acidentes domésticos com crianças de até quatro anos, ficando atrás somente de acidentes por queda ou afogamento.

Com a pandemia e a permanência das crianças em casa, esses acidentes se intensificaram. “Observamos muitos acidentes com água sanitária, utilizada para limpeza do chão e para evitar a propagação do vírus, e também de ingestão de álcool em gel, um produto que as pessoas tem deixado pela casa, em qualquer lugar, e com fácil alcance das crianças”, adverte.

Outro produto que chama a atenção das crianças é o detergente, principalmente os com cheiros de frutas. Segundo a médica, o aroma é atrativo para as crianças, o que propicia a ingestão. Amaciantes líquidos, shampoos, e demais produtos muito perfumados também estão na lista dos que mais causam intoxicação. “O principal sintoma após o contato com algum desses produtos é a tosse e a dificuldade de respirar, e dependendo do produto, o vômito também é frequente. Mas é importante que os pais não tentem induzir ao vômito, pois podem provocar uma aspiração do produto, e nem tentem fazer a criança ingerir alimentos, como leite, e procurem a emergência e um posto de saúde o mais rápido possível”.

A intoxicação por produtos químicos pode provocar sequelas graves, além do óbito. “Por isso é importante pensarmos na prevenção. Todo material deve ser guardado em armários. Medicamentos, principalmente os que tem sabores atrativos, também precisam ser armazenados fora do alcance da criança. Caso não venha a óbito, as sequelas de intoxicação podem ser pra vida toda, com a criança não conseguindo mais engolir e nem se alimentar, necessitando de sonda no estômago, ou desenvolvendo problemas respiratórios e pulmonares graves, além de intolerâncias”, diz.

Ambas as médicas estarão conversando sobre o assunto e esclarecendo dúvidas, durante a live do dia 19 de junho, às 16h, no perfil @farmavetcomufra. O evento é aberto e gratuito.

Texto: Vanessa Monteiro, jornalista, Ascom UFRA.

Imagem: @farmavetcom

 

 

 

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