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Letras/Libras da Ufra recebe nota 05 na avaliação do MEC

  • Publicado: Sexta, 13 de Março de 2020, 15h49
  • Última atualização em Sexta, 13 de Março de 2020, 15h54

 

O conceito 5 é considerado como “Excelente”, e foi essa a avaliação dada pelo Ministério da Educação ao curso de Letras/Libras da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra). A avaliação ocorreu in loco, para fins de reconhecimento, no período de 04 a 07 de março, no campus Belém. Os avaliadores atribuíram notas em uma escala de 1 a 5, e verificaram se a instituição cumpre com requisitos como corpo docente qualificado, estrutura, grade curricular, dentre outros. Os parâmetros atendem ao que é estabelecido pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP).

Para o coordenador do curso, professor Elias Hage, esse reconhecimento pode alavancar ainda mais o curso. “A nota do MEC representa uma grande vitória pra coordenação do curso, principalmente nesse caminho em direção à inclusão. Isso significa que podemos melhorar a relação do surdo com o mundo. A Ufra vem se destacando muito nesse aspecto, esse ano tivemos uma maior procura de alunos surdos através do Sisu, nós temos professores surdos, nossos alunos ouvintes são preparados para lidar com as demandas do aluno surdo e estamos trabalhando na ampliação dos nossos projetos. A partir do momento que cumprimos os parâmetros do MEC, isso nos impulsiona a melhorar cada vez mais, e a pensar na implantação de forma definitiva de Libras em todo a cadeia do ensino básico”, diz.

O curso de Letras/Libras é ofertado pela Ufra desde 2016, e disponibiliza 30 vagas anualmente para ingresso a partir do Sisu. O corpo docente do curso é formado por 08 doutores, 07 mestres e 02 especialistas, além de uma equipe de técnicos, intérpretes e apoio administrativo. Os formados no curso de Letras/Libras podem atuar no ensino fundamental e médio, ensino educacional especializado e como professor de ensino superior.

“O projeto pedagógico do curso é voltado para formar professores de Libras, e com ensino bilingue. O colegiado que está sempre estudando, discutindo, adicionado e retirando propostas e pensando nessa estrutura básica e habilidade linguista em Libras. Nós temos a preocupação de formar esses profissionais para que eles entendam, assimilem, e para quando chegarem no mercado de trabalho desenvolvam essa prática adquirida dentro do curso”, diz a professora Pâmela Matos, vice-coordenadora do curso de Letras/Libras regular da Ufra e coordenadora do Letras/Libras na modalidade do Parfor.

A Ufra faz a reserva de vagas para alunos surdos, uma de suas políticas de ação afirmativa. Atualmente há 05 alunos surdos no curso. Os materiais utilizados em sala de aula, como leituras e artigos, são traduzidos para Libras pelos intérpretes da universidade, seja com tradução simultânea (durante as aulas), seja com a gravação de vídeos, o que ocorre em um espaço cedido no Instituto Ciberespacial (ICIBE/UFRA).

Segundo a professora Pâmela Matos, que é surda, os cursos de licenciatura em Libras são extremamente importantes, pois os professores qualificados podem ajudar a diminuir um gargalo que começa no ensino básico, com a ausência de intérpretes de Libras e professores ainda inabilitados para lidar com um aluno surdo.

“Existem as leis, mas na prática não acontecem. Não tem profissionais fluentes, não conhecem as necessidades específicas do aluno surdo, não desenvolvem metodologias e didáticas para esse ensino, só se pensa na maioria, é tudo voltado para a realidade do aluno ouvinte. Falta intérprete e se hoje tem professores, dá pra contar no dedo. Não basta só conhecer o básico, é preciso que tenham profissionais que entendam os componentes linguísticos, didáticos, metodológicos e culturais dessa diversidade do sujeito surdo”, diz. A docente diz que são justamente essas barreiras que impedem que o aluno surdo tenha acesso ao ensino superior. A Lei 12.711/2012 (Lei de cotas) garante a reserva de vagas para pessoas com deficiência nas universidades federais, mas essa é uma realidade que ainda está distante. “O Enem acaba sendo muito difícil, conseguir chegar até o certame. O surdo tem vida, tem sonho, e o acesso desse sonho é através do Enem”, lamenta.

De acordo com o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), realizado em 2010, há 9,7 milhões de pessoas surdas no Brasil. Só no estado do Pará o instituto estimou que existam 11.284 surdos, 60.066 pessoas com grande dificuldade para ouvir e outros 297.723 habitantes com alguma dificuldade auditiva.

 

Texto: Vanessa Monteiro / Jornalista Ascom Ufra

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