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PESQUISA DA UFRA DESENVOLVE TÉCNICA DE FERTILIZAÇÃO IN VITRO EM BÚFALOS

Pioneira nas pesquisas com inseminação artificial em bubalinos no Brasil, a Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) agora desenvolve também uma outra técnica de reprodução animal assistida aplicada a esta espécie da família dos bovídeos: a Fertilização In Vitro (FIV).

  • Publicado: Terça, 17 de Março de 2015, 16h07
  • Última atualização em Sexta, 30 de Dezembro de 2016, 09h11

Os estudos na área de reprodução de búfalos na UFRA começaram por volta de 1975, em parceria com a Universidade Federal do Pará (UFPA), com testes para congelamento de sêmen de búfalos, que requer substâncias e meios diferentes daqueles utilizados para congelar sêmen de bovinos. Em 1981, uma equipe de pesquisadores, sob a coordenação do Prof. Dr. Haroldo Ribeiro, realizou as primeiras inseminações em búfalas na Ilha do Marajó. Da experiência, nasceram, então, quatro bezerros, os primeiros filhotes de búfalo nascidos com a utilização dessa biotecnologia no país e, possivelmente, na América Latina.

Desde então, muito se avançou nas pesquisas que visam ao melhoramento genético de bubalinos. No Brasil, o Pará detém a posição de maior produtor desses animais, com mais de 500 mil cabeças, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE (2014). Hoje, o gado bubalino tem uma participação expressiva na economia paraense, sendo muito usado para a comercialização de carne e, principalmente, leite, do qual derivam queijos finos, como a muçarela de búfala.

Um dos motivos para o sucesso da produção de búfalos, que são de origem asiática, foi a fácil adaptação do animal à região, como explica o Prof. Haroldo Ribeiro: “A Amazônia oferece um habitat excelente para o búfalo, com milhões de hectares de regiões inundáveis, onde o bovino não consegue se reproduzir. Porém, da maneira que o animal vem sendo criado, extensivamente, o crescimento tende a ser lento. Como foram trazidos poucos animais para o Brasil, ocorreu uma consaguinidade muito grande e os animais começaram a diminuir em termos de peso, tamanho e fertilidade. Com a inseminação artificial, você traz um sêmen de um animal reprodutor de uma outra linhagem e, através da técnica, distribui democraticamente a qualquer produtor, grande ou pequeno”. Apenas uma coleta de sêmen pode render até 200 doses, e cada uma pode ser vendida por até R$ 10,00.

Novos estudos

Em janeiro de 2014, porém, os estudos na Universidade deram um salto, com o início das pesquisas com Fertilização In Vitro, técnica que consiste em realizar a fecundação fora do organismo do animal. Diferente da inseminação artificial, que beneficia produtores que não podem comprar um macho reprodutor de alto valor genético, a FIV é utilizada quando se tem uma fêmea comprovadamente melhoradora, de maneira a difundir seu material genético de forma mais acelerada e, assim, melhorar o rebanho como um todo, como explica o Prof. Dr. Sebastião Rolim:

“A princípio, se o produtor tem uma fêmea de alto valor genético – que produz mais leite ou tem um ganho de peso maior do que a média, por exemplo -, essa fêmea pode ser aspirada para a coleta de seus oócitos (células germinativas femininas). Esses oócitos são levados para o laboratório, é feita a fertilização com o sêmen de um animal também superior e esses embriões são transferidos para as fêmeas receptoras”.

Os principais objetivos da pesquisa com fertilização in vitro são: congelar sêmen com melhor qualidade, de maneira mais simples e barata; melhorar os meios de fertilização; aumentar o número de oócitos aspirados por animal; aumentar a quantidade de embriões produzidos por animal; obter maior número de gestações; e melhorar a produção de búfalos da região. O professor relata que as ferramentas utilizadas no início eram as mesmas utilizadas em bovinos, mas, por se tratarem de espécies diferentes, a eficiência não foi a mesma em bubalinos. “Existe a necessidade da realização destas pesquisas na tentativa de melhorar esses meios para que, assim como no caso dos bovinos, a técnica possa ser realizada na rotina das fazendas”.

Atualmente, o projeto encontra-se em fase de testes com embriões para verificar a taxa de produção. “Ainda não temos como viabilizar o embrião para o produtor, mas acreditamos que daqui a até três anos já possamos ter essa ferramenta de uma forma mais satisfatória”, revela o pesquisador.

A pesquisa é desenvolvida no setor de Reprodução Animal do Instituto da Saúde e Produção Animal (ISPA) da UFRA, que é responsável pela criação dos animais e pelo congelamento do sêmen, e no Laboratório de Produção In Vitro da UFPA, responsável pela FIV. Outra importante parceira do projeto é a empresa Bubras, que cede todos os animais usados no estudo. “Essa parceria é fundamental porque hoje em dia, além de recurso público, a gente precisa também de recurso privado no Brasil para viabilizar pesquisas como essa, que é uma pesquisa cara e que precisa de equipamentos caros, manejo dos animais, pastagem e animais com alto valor genético”, diz o Prof. Rolim.

Entenda, no quadro abaixo, como funcionam as duas técnicas de reprodução animal:

 

Jussara Kishi – Ascom/UFRA

Fotos: Jennifer Nauar e Pedro Henrique Brito

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