Ir direto para menu de acessibilidade.

GTranslate

ptenes

Opções de acessibilidade

Página inicial > Últimas Notícias > Acessibilidade: Alunos sinalizam espaços do campus Belém em LIBRAS
Início do conteúdo da página
Ultimas Notícias

Acessibilidade: Alunos sinalizam espaços do campus Belém em LIBRAS

  • Publicado: Sexta, 20 de Dezembro de 2019, 12h39
  • Última atualização em Quinta, 26 de Dezembro de 2019, 11h37

A Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) deu mais um passo rumo à inclusão e à acessibilidade comunicacional. Alunos do 8º semestre de Letras Libras, sob coordenação da professora Tatiana Pacheco, adesivaram dezenas de espaços em diversos prédios do campus Belém, identificando em Língua Brasileira de Sinais os nomes dos setores para a comunidade. O projeto, fruto da disciplina Prática Pedagógica II, envolveu um extenso trabalho de pesquisa, planejamento, produção de fotos e vídeos e elaboração de placas em adesivo, que foram aplicadas pelos próprios estudantes.

Foram escolhidos os prédios de maior circulação do campus, bem como espaços de maior procura pelas pessoas surdas: Restaurante Universitário, Biblioteca, Prédio Central, Prédio de Letras, Bagé (ônibus circular), NEDAM (Núcleo de Educação e Diversidade na Amazônia), ACESSAR (Núcleo Amazônico de Acessibilidade, Inclusão e Tecnologia), Pró-Reitorias de Ensino, Pesquisa, Extensão e Assuntos Estudantis, Reitoria, Ascom (Assessoria de Comunicação), Hospital Veterinário, Pavilhão, Auditório Waldir Bouhid, Anfiteatro, Zootecnia e os institutos ICIBE e ICA.

O coordenador do curso de Libras na Ufra, professor Elias Hage, explica que, embora a língua portuguesa na modalidade escrita seja disciplina obrigatória, muitas pessoas surdas não a dominam, pois sua primeira língua, de fato, é a Libras. Daí a necessidade de permitir a leitura dos nomes tanto em português quanto em Libras para promover a acessibilidade comunicacional. “A estrutura das duas línguas é bem diferente, e isso pode gerar dificuldades de entendimento de textos escritos”, pontua.

A professora Tatiana Pacheco conta que a ideia era promover uma atividade que servisse não apenas para o espaço da Ufra, mas que no futuro também pudesse ser replicada nas escolas onde os alunos irão trabalhar. “Nós pensamos em uma atividade que pudesse trabalhar a práxis numa perspectiva do Paulo Freire, que dizia que a educação é uma forma de intervenção no mundo”. Segundo ela, a legislação - tanto a Lei de Inclusão e a Lei de Libras quanto o Decreto 5626 - é clara em informar que as instituições devem difundir a Língua Brasileia de Sinais. “Diante disso, nos questionamos o que poderíamos fazer para diminuir a distância entre o que nós dizemos e o que fazemos”.

Os alunos, em parceria com os intérpretes de Libras da Ufra, realizaram uma pesquisa de campo na Universidade Estadual do Pará (Uepa) e na Universidade Federal do Pará (UFPA) para verificar a existência de sinais relativos aos setores. Aqueles que ainda não contavam com sinais pré-existentes, tais como Bagé (termo de uso exclusivo na Ufra) e NEDAM, precisaram ser criados com auxílio da comunidade surda.

A aluna Eliete Sousa conta como foi sua experiência durante a atividade. “O nosso grupo ficou responsável pelo HOVET, o R.U., a PROEX e o Bagé. Para o HOVET, por exemplo, ainda não havia sinal, então foi feita a combinação dos sinais de ‘hospital’, ‘médico’ e ‘veterinário’. Já o sinal de Bagé precisou ser criado do zero”, relata. “Foi um trabalho todo dividido em etapas, obedecendo às orientações da professora para que o projeto tivesse legitimidade”, conta. Além disso, no momento da aplicação dos adesivos, os alunos também ensinaram o respectivo sinal a dois servidores de cada setor, que vão ajudar a difundir a Libras na universidade.

Universidade inclusiva

Para a estudante Eliete Sousa, que integra a primeira turma de Libras da Ufra, a Ufra tem se mostrado uma universidade cada vez mais preocupada com a inclusão. “Quando a nossa turma de Libras entrou em 2016, houve uma grande mobilização e nós vimos a preocupação dos professores que abraçaram essa causa de promover a acessibilidade e difundir a Libras. Fomos para a luta e promovemos muitas ações”, diz.

A professora Tatiana Pacheco avalia que a instituição tem trilhado um caminho bonito e propositivo, cumprindo seu papel social. “Eu sempre digo aos meus alunos que todos nós temos que fazer inclusão. E o mínimo que fazemos já contribui para uma sociedade mais cidadã, mais inclusiva. Eu vejo que a universidade está encurtando a distância entre o que diz a lei e o que faz, de fato. O principal nesse processo é realizar uma prática com caráter de intervenção, de mudança, de transformação, trazendo uma nova perspectiva para o futuro”, conta.

Outros projetos

Outra atividade desenvolvida este mês de dezembro no âmbito do curso de Letras Libras foi a apresentação de produtos de inclusão e acessibilidade para a Biblioteca Central José Tavares Vieira da Silva. A proposta surgiu a partir da oferta das disciplinas Gerenciamento de Processos Inclusivos e Educação em Direitos Humanos, ambas sob a orientação da professora Flavia Marçal. Os alunos realizaram uma visita guiada à Biblioteca, onde puderam verificar as principais necessidades do espaço e, assim, apresentar propostas que visam à quebra de barreiras, principalmente arquitetônicas e comunicacionais, com enfoque em desenho universal e tecnologias assistivas, buscando garantir autonomia e igualdade de oportunidade aos usuários do espaço.

A partir da consolidação dos projetos, foi possível a produção de placas de identificação e vídeo acessibilizado em Libras, além de palestra sobre a importância da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Pará, explica a professora Flávia Marçal. “Com a parceria interessetorial dentro da instituição e a valorização do processo de ensino-aprendizado voltado para o mercado de trabalho foi possível a propositura de solução de problemas sociais e elaboração de projetos com baixo custo”.

O coordenador do curso de Letras Libras, professor Elias Hage, informa que existe, ainda, um projeto que prevê a identificação dos espaços da universidade em Braile (sistema de escrita tátil para pessoas cegas ou com baixa visão) e que está em desenvolvimento um curso de especialização em Língua Brasileira de Sinais na Ufra. A expectativa, segundo ele, é que o número de alunos surdos da universidade – que hoje são quatro – aumente a partir do próximo processo seletivo, uma vez que o curso de graduação está cada vez mais conhecido junto à população.

sinalização prédios 1

sinalização

sinalização prédios 2

sinalização prédios 3

sinalização prédios 6

Texto: Jussara Kishi

Fotos: Turma de Letras/Libras

Fim do conteúdo da página

Avenida Presidente Tancredo Neves, Nº 2501 Bairro: Terra Firme  Cep: 66.077-830 Cidade: Belém-Pará-Brasil