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Estudo busca selecionar plantas para recuperação de áreas contaminadas por metais pesados

  • Publicado: Segunda, 21 de Outubro de 2019, 15h06
  • Última atualização em Terça, 22 de Outubro de 2019, 14h12

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Um estudo conduzido pela Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), em parceria com a Embrapa Amazônia Oriental e o Museu Paraense Emílio Goeldi, está fazendo uma seleção de espécies florestais nativas da Amazônia para identificar aquelas que são tolerantes a metais pesados e com capacidade de mitigar os danos causados por esses materiais no solo. O objetivo é auxiliar na recuperação de áreas afetadas por atividades antrópicas que geram grandes concentrações de metal pesado no solo, especialmente a mineração, mas também adubação e o próprio descarte de lixo urbano.

As pesquisas são parte do projeto guarda-chuva “Comportamentos fisiológicos, nutricionais, molecular e crescimento em plantas de espécies florestais e frutíferas em diferentes tipos de estresse”, desenvolvido há dois anos. O projeto trabalha com diversas linhas de pesquisa, mas aquela que tem tido maior foco é a dos metais. Este subprojeto encontra-se na primeira fase, com testes de mudas em laboratório e em casa de vegetação para avaliar o grau de tolerância de diversas plantas a diferentes metais em diferentes concentrações e o seu potencial fitorremediador do solo.

O coordenador, professor Cândido Ferreira de Oliveira Neto, explica que, embora as mineradoras produzam rejeitos de metal em maior escala – podendo resultar em casos como o de Brumadinho (MG)-, existem outras formas de contaminação do solo, quase todas também causadas pela ação humana. “Todos os dias estão sendo jogados vários quilos de metais, como o cádmio, contido nas baterias de celular e pilhas. Outro fator são as adubações, especialmente as fosfatadas, que liberam alguns metais. Então existem várias formas de contaminar o solo, de curto, médio e longo prazos, a maioria delas de forma antrópica. Existem, ainda, solos que contém naturalmente altas concentrações de metais, como é o caso de algumas áreas de Parauapebas”, afirma.

Etapas - Nesta fase do estudo, os pesquisadores estão fazendo a seleção das espécies. Em cada planta, são avaliados diversos fatores: qual a sua velocidade de crescimento; se possui raízes profundas; análises moleculares e anatómicas; e, por fim, se é tolerante a diferentes tipos de metal e se tem potencial fitorremediador. Paralelamente, a equipe também fará um levantamento de locais com grande potencial de contaminação por minerais pesados para as próximas etapas do projeto.

O objetivo maior é gerar dados para fins de reflorestamento e diminuição da contaminação nessas áreas. “A partir desse estudo, pode-se recuperar solo, rios e vegetação. A ideia é que em 2020 já tenhamos o banco de espécies pronto, e aí poderemos conduzir experimentos em áreas com presença de metais pesados”, relata. O município de Barcarena e a região dos mananciais que abastecem Belém são algumas das áreas que poderão ser escolhidas pelos pesquisadores.

Resultados – Uma das espécies que tem apresentado resultados promissores de fitorremediação de solos é o mogno africano, tendo, portanto, grande potencial de reflorestamento nas áreas citadas. Já um exemplo de espécie que apresentou alta sensibilidade a um dos metais, o cádmio, foi o paricá. No entanto, ressalta o professor, existem plantas que são altamente sensíveis a certo metal, mas tolerantes a outros.

Outro foco da pesquisa são os chamados atenuadores de estresse. “Nós estudamos substâncias que possam mitigar ou atenuar o metal pesado, como é o caso do silício, do oxido nítrico e de hormônios como o brasinoesteroide e o ácido jasmônico, que são capazes de proporcionar uma resistência ainda maior na planta”, relata.

O estudo, considerado inédito na região, conta com professores da Ufra, alunos de iniciação científica, mestrado e doutorado e pesquisadores do MPEG e da Embrapa.

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Texto: Jussara Kishi

Fotos: Coordenação do projeto

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