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COMO FAZER UMA HORTA CASEIRA: PROFISSIONAIS DA UFRA DÃO AS DICAS

  • Publicado: Segunda, 10 de Junho de 2019, 19h03
  • Última atualização em Segunda, 10 de Junho de 2019, 19h03
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vc sabia salsa

A alimentação saudável é uma preocupação crescente da sociedade, especialmente na área urbana, onde muitos alimentos naturais foram substituídos por produtos processados. Uma maneira de introduzir mais hortaliças nas refeições de maneira econômica e sem uso de defensivos agrícolas são as horas caseiras. O Professor Sérgio Gusmão, o doutorando Ítalo Marlone Gomens Sampaio e o agrônomo Arthur Abraão Pinheiro, da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), dão orientações àqueles que pretendem investir em sua própria horta. 

Segundo o Professor Sérgio Gusmão, que trabalha na área de Oleicultura, produzir uma hora em casa é fácil. O principal fator para o seu sucesso é dar atenção diária, especialmente à rega, e observar a ocorrência de pragas e doenças. O ideal é cultivar espécies que têm a preferência de consumo entre os moradores da casa. A maioria  das espécies, afirma, pode ser cultivada no Pará, desde que sejam escolhidas cultivares adaptadas a temperaturas elevadas. As hortaliças preferidas na região para cultivo residencial são: coentro, cebolinha, salsa e chicória. “Mas outras condimentares que podem facilmente ser cultivadas são: alecrim, orégano e manjericão. Delas, somente o coentro precisa de semeaduras frequentes (quinzenais)”, informa.

As vantagens são diversas: “Primeiramente pode ser considerado o grande prazer de dispor de alguns minutos diários para realizar tarefas de manutenção da horta. Uma segunda vantagem é consumir hortaliça cultivada de forma saudável, sem riscos de contaminação por agrotóxicos ou por microorganismos patogênicos. E, em terceiro lugar, está o frescor do produto colhido para consumo, o qual não passou por manipulações diversas, transporte a longas distâncias ou necessidade de armazenagem, fatores estes que contribuem para a perda na qualidade do produto e redução na vida de prateleira”, enumera.

A escolha do local:

O ideal é implantar a horta em local com muita disponibilidade de radiação solar. Se não for possível, escolha um local da casa que seja o mais iluminado possível. A horta não precisa, necessariamente, ser montada no chão. “Em quintais, podem ser feitas hortas suspensas, evitando danos por animais domésticos ou, ainda, hortas dentro de pneus, em garrafas plásticas ou outros recipientes. Em sacadas e em áreas do interior da residência, os vasos como jardineira são mais interessantes do ponto de vista estético. Entretanto, recipientes reciclados podem receber pintura externa e ficar muito bonitos”, explica.

Escolhendo os recipientes:

Em geral, pode-se usar qualquer tipo de recipiente para o plantio, mas o ideal é não ter mais do que 25 cm de altura. Espécies com pequenas raízes, tais como coentro, salsa, chicória, cebolinha e rúcula, podem ser cultivadas em recipientes com 10 cm na altura do substrato. Já espécies de maior porte devem ser plantadas em recipientes um maiores.

No cultivo em quintais ou jardins, em que será usado o próprio solo do local, a equipe da Ufra orienta proteger os canteiros, contornando-os com garrafas pet ou peças de madeira, para torná-los canteiros permanentes. No entanto, o recipiente não pode ser transparente, por isso, caso se use garrafas pet, é importante pintá-las antes, para não elevar a temperatura do substrato.

Nas hortas verticais, montadas em paredes ou em outros tipos de suporte vertical, deve ser dada atenção especial à rega. “Nas paredes, em geral, ocorre maior aquecimento do ambiente, o que aumenta a perda de água”.

O preparo do solo:

Em hortas implantadas no solo do quintal ou do jardim, os três passos básicos para o preparo são:

  1. 1. Revolver o solo até uma profundidade de 20 cm (tomando cuidado com a presença de tubulações de água e esgoto, para não danificá-las);
  2. 2. Montar leiras (canteiros) com até 20 cm de altura;
  3. 3. Acrescentar no canteiro 3 a 5 litros de adubo orgânico por metro quadrado, incorporando esse adubo até 10 cm de profundidade.

“Se o adubo já estiver curtido (não aquece dentro da embalagem em que foi armazenado), pode ser feito o plantio imediato. Se ainda estiver aquecendo, aguardar uma semana antes de iniciar o cultivo no canteiro adubado”, orienta o professor. Já no caso de cultivo em recipientes, o substrato é preparado antes de ser colocado nos mesmos: deve-se misturar 3 partes de solo + 1 parte de adubo orgânico. Alguns substratos denominados de compostos orgânicos, dependendo da sua composição, podem ser utilizados como substrato, sem precisar fazer a mistura com o solo.

Combatendo pragas e doenças:

Os pesquisadores recomendam algumas medidas simples para controlar algumas pragas comuns:

- Pulverizações semanais com água+ sabão+ óleo. As medidas são: 1 litro de água, 1 colher de sopa de sabão e 1 colher de sopa de óleo;

- Pulverizações semanais com soro de cal: misturar cal em água, deixar em repouso por alguns minutos, retirar a água da superfície-soro de cal, diluir em água - 5 partes de água para uma de soro - e pulverizar as hortaliças;

- Nas plantas já com presença de pragas: pulverizar suco feito de 4 dentes grandes de alho em 1 litro de água. A aplicação deve ser feita no final da tarde;

A rega diária:

Geralmente, as plantas necessitam de uma rega diária. Entretanto, é preciso avaliar se o solo ou o substrato de recipientes estão ainda muito úmidos, o que é comum em dias chuvosos. O excesso de água pode resultar em ocorrência de doenças que provocam a morte das plantas. O Professor Sérgio Gusmão indica utilizar, inclusve, água oriunda da higienização de alimentos.

As sementes:

É comum encontrar para comercialização sementes de hortaliças diversas que, em geral, possuem boa qualidade. Deve-se observar, no entanto, o tempo de validade da semente e as condições climáticas ideais para o seu cultivo, informações contidas na embalagem do produto. “Algumas espécies produzem seu material de propagação na própria horta. Por exemplo: ramos de manjericão e alecrim; bulbos de cebolinha; sementes e perfilhos de chicória; e sementes de jambu. A formação de mudas de hortaliças a partir de ramos e outros materiais vegetativos reduz o tempo para produção das mudas”, explica.

“Não esqueça que o principal fator que contribui para a qualidade da horta é o cuidado diário, mesmo que seja apenas para observação visual. Aprenda a conversar com suas plantas. As energias positivas são bem vindas”, conclui o professor da Ufra.

Mais informações:

sergio.gusmao@ufra.edu.br ou visite a horta da Ufra no campus Belém, localizada em frente ao prédio da reitoria.

*Com informações do professor Sérgio Gusmão; Italo Marlone Gomes Sampaio, doutorando da Ufra; e Arthur Abraão Pinheiro, engenheiro agrônomo.

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