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Pesquisa avalia impactos econômico e florestal da exploração de madeira oca

  • Publicado: Sexta, 07 de Junho de 2019, 09h53
  • Última atualização em Sexta, 02 de Agosto de 2019, 10h37

madeira oca premio 2

A pesquisa de mestrado da ex-aluna da Universidade Federal da Amazônia (Ufra), Vivian Barroso Almeida, sob orientação do professor José Natalino Macedo Silva, ganhou o segundo lugar no VI Prêmio do Serviço Florestal Brasileiro em Estudos de Economia e Mercado Florestal, na categoria Profissional. A entrega do prêmio ocorreu no último dia 31, em Brasília (DF).

O trabalho, intitulado “Impacto da ocorrência de oco no rendimento volumétrico e financeiro da colheita de madeira na Floresta Nacional de Saracá-Taquera, Pará”, é fruto de um estudo iniciado em 2016, durante o curso de mestrado em Ciências Florestais da Ufra. A pesquisa avaliou o impacto da ocorrência de defeitos nas toras de madeira, tais como oco e podridão, no rendimento volumétrico - ou seja, a relação entre o que é autorizado para ser explorado e o que de fato é retirado - e financeiro da colheita em florestas tropicais. Os dados foram coletados em uma Unidade de Manejo Florestal situada na Floresta Nacional de Saracá-Taquera, localizada no Oeste do Pará.

O professor Natalino Silva explica que se trata de uma questão que afeta as empresas do setor madeireiro que trabalham legalmente na exploração de áreas de conservação autorizadas pelo governo. Antes da derrubada, a empresa concessionária faz o chamado teste de oco. “Se a árvore está oca, a empresa não a derruba para extração; em vez disso, vai procurar outra, pois o governo federal permite que elas sejam substituídas por outras árvores não ocas”. Ainda segundo ele, estas empresas pagam para o governo tudo aquilo que retiram da floresta, portanto, “se a empresa retirar produtos não madeireiros, ela também paga. No caso da tora, o governo não concede o desconto do oco, por isso a empresa acaba pagando por algo que ela não vai aproveitar”.

Durante seis meses de coleta de dados, foram analisadas mais de 1.000 árvores de 25 espécies florestais, com medição de diâmetro e comprimento. Vivian Almeida explica que, durante a exploração florestal, foram registradas todas as árvores ocas, tanto as que não foram colhidas (oco detectado por meio do teste de oco) quanto as que foram colhidas e apresentaram o defeito depois de derrubadas. Também foram registradas tanto as selecionadas para a colheita quanto as substitutas – árvores que não foram selecionadas inicialmente para o corte.

“Concluiu-se que a ocorrência de oco não afetou significativamente o rendimento volumétrico. No entanto, comprovou-se que a substituição de árvores ocas é fundamental para garantir um maior rendimento volumétrico na colheita.  O volume de oco encontrado teve pouco impacto nas perdas da receita da colheita. Por outro lado, se somado às perdas devido à quebra no volume colhido, as duas juntas podem representar um impacto expressivo na receita e, consequentemente, comprometer a viabilidade do manejo em longo prazo”, relata a autora do trabalho.

Na prática, o estudo pode dar significativas contribuições para a aplicação de novas políticas públicas em áreas de concessão federal, para que o Governo possa conceder o desconto de oco para as empresas concessionárias. “No caso do desconto do oco, não haverá crédito de madeira declarado nos sistemas de controle de madeira e, consequentemente, evita que árvores que não estavam previstas para a colheita sejam exploradas. Com isso, evita-se também danos ambientais na floresta”, detalha. 

Com base do estudo da Ufra, a Associação Brasileira das Empresas das Concessionárias Florestais (Confloresta) já encaminhou um documento ao Serviço Florestal Brasileiro (SFB), responsável pela gestão das florestas públicas do país. O objetivo é evitar que a madeira seja paga de forma indevida pelas concessionárias.

O Prêmio do SBF, que reconheceu o trabalho da Ufra, tem como objetivo estimular a produção de estudos de economia e mercado florestal e conta com a parceria da Escola Nacional de Administração Pública (Enap) e da Confederação Nacional das Indústrias (CNI). “O prêmio representa o reconhecimento e o esforço de toda a equipe envolvida na coleta de dados. Representa o avanço da nossa pesquisa na área florestal, em especial no manejo florestal sustentável”, afirma Vivian, que pretende dar continuidade ao estudo no doutorado.

O professor da Ufra destaca que a pesquisa é considerada inédita. Ele informa, ainda, que outra aluna do Programa de Pós-Graduação em Ciências Florestais está iniciando os estudos em outro aspecto importante da pesquisa com madeira oca: a seleção negativa. “A próxima etapa é quantificar as árvores ocas e o rendimento, e avaliar como essa floresta estará daqui a 30, 60 anos. Então é o caso de modelar essa floresta e projetá-la para o futuro para saber como ficaria uma floresta onde repetidamente se rejeitasse as árvores ocas”, diz o professor Natalino Silva, que também orienta a nova pesquisa.

As duas dissertações estão atuando no âmbito de uma cooperação existente entre a Ufra e a EBATA Produtos Florestais, empresa onde foi feito o estudo. Além disso, estão sendo discutidas novas parcerias com outras concessionárias para trabalhar em outras florestas.

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Texto: Jussara Kishi

Ascom Ufra

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