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ESTUDO JÁ MAPEOU 9 MIL HA DE ÁREA COM OCORRÊNCIA DE JABORANDI EM CARAJÁS

  • Publicado: Quarta, 06 de Fevereiro de 2019, 12h19
  • Última atualização em Quarta, 06 de Fevereiro de 2019, 12h54
  • Acessos: 1179

jaborandi 2019

Programa da Ufra em parceria com UFPA, Vale e ICMBio busca conservar a espécie na Floresta Nacional de Carajás

Desde 2012, uma pesquisa coordenada pela Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) tem dado subsídios para garantir a conservação do jaborandi no Pará. A espécie, quem tem o nome científico de Pilocarpus microphyllus, é a única fonte natural da substância conhecida por pilocarpina, amplamente utilizada na formulação de colírios usados no controle do glaucoma. Os estudos são desenvolvidos na Floresta Nacional (Flona) de Carajás, unidade de conservação localizada no sul do Pará, que é uma das únicas áreas com ocorrência natural da espécie em todo o Brasil.

O Programa de Conservação do Jaborandi Nativo da Floresta Nacional de Carajás inclui diversas frentes de ação e conta com apoio da empresa Vale S.A, do Instituto Tecnológico VALE, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) – que administra a Flona Carajás, da Cooperativa dos Extrativistas da Flona de Carajás (COEX) e, mais recentemente, da Universidade Federal do Pará (UFPA), por meio do Laboratório de Tecnologia de Alimentos.

A coordenadora do estudo, Professora Gracialda Ferreira (ICA/Ufra), conta que a pesquisa teve início com o objetivo de estudar o comportamento reprodutivo do jaborandi. “A ideia era saber se as atividades de mineração no local estavam alterando o comportamento reprodutivo da espécie, mas, conforme começamos a trabalhar lá, acabamos percebendo outras questões associadas ao comportamento da espécie e fomos ampliando o projeto para entender melhor por que a espécie está ameaçada de extinção”. O jaborandi integra o Livro Vermelho da Flora do Brasil, publicação do Centro Nacional de Conservação da Flora (CNCFLORA), onde consta a relação de todas as espécies vegetais sob risco de extinção.

Um dos problemas identificados pela equipe diz respeito às condições de trabalho dos folheiros, pessoas que vivem da extração e do comércio das folhas do jaborandi, onde está contida a pilocarpina. Atualmente, cerca de 35 famílias na região de Carajás tiram seu sustento da atividade. “Nós percebemos que os folheiros caminhavam quilômetros diariamente para colher a folha. Eles sabiam empiricamente onde estavam as populações da espécie e, na época de colheita, andavam até 30 ou 40 quilômetros floresta adentro por dia”. Para solucionar esse problema, propôs-se, então, um estudo sobre o mapeamento das populações naturais da espécie na Flona Carajás.

Mapeamento

Até 2017, o estudo conseguiu mapear 9 mil hectares de área georreferenciada, com ocorrência da espécie registrada. Ao todo, a floresta conta com uma área em torno de 400 mil hectares. Sabe-se também que a ocorrência é de 400 a 600 plantas por hectares. “Isso serve para auxiliar os órgãos ambientais no processo de gestão e também para nortear as ações de uso da Flona. Com isso, é possível determinar onde a espécie ocorre e em qual quantidade, e o órgão ambiental pode definir melhor a destinação das áreas para uso, direcionando a colheita, já que é uma espécie que carece de uma atenção muito grande com relação à sua conservação”, explica a professora.

Além do aspecto reprodutivo e da distribuição espacial, o programa também abrange o estudo da morfologia foliar, para entender a variação na concentração de pilocarpina entre os indivíduos. “Esta etapa ainda está em andamento, com testes das folhas em laboratório para verificar se o teor da pilocarpina está associado com fatores ambientais ou genéticos. Preliminarmente, a gente percebe que não; que esta é uma característica genética da própria espécie”. Também estão em teste as formas de extração da pilocarpina, visando potencializar o seu uso de forma verde, ou seja, sem adição de produtos químicos.

Resultados

Sob o aspecto reprodutivo, foi possível definir que a espécie se reproduz anualmente, produzindo flor e fruto entre os meses de maio e julho, quando a planta já está dispersando as sementes. “Descobrimos também que a taxa de conversão de flores para frutos é muito baixa, em torno de 30%, e isso também vai ajudar no processo de conservação. Precisamos deixar mais indivíduos na floresta para que possamos aumentar a quantidade de populações futuras”, alerta. Os estudos também já determinaram os principais polinizadores e os horários preferidos de polinização, além de concluir que o teor de pilocarpina varia entre indivíduos e que os fatores ambientais podem interferir, mas não de forma direta.

Pilocarpus microphyllus está ameaçada de extinção pela restrição e pressões antrópicas na sua área de ocorrência. Esse é um resultado que pode auxiliar na tomada de decisões quanto à conservação pelo foco da distribuição da espécie. Dadas as características da espécie, podemos dizer que ela não tem muita dificuldade de germinar, mas tem restrição na taxa de conversão de flores para frutos. Também podemos dizer que, provavelmente, as atividades antrópicas afetam a atividade dos polinizadores, e isso pode complicar o processo reprodutivo da espécie. Todas essas questões precisam ser levadas em consideração para que a gente consiga manter essas populações”, afirma Gracialda Ferreira.

Plantio do jaborandi

O projeto se encontra, atualmente, em avaliação para aprovação de mais uma fase, que envolverá os estudos de implantação de áreas de produção de jaborandi. O objetivo é diminuir a pressão sobre as populações naturais, pois hoje as famílias vivem, basicamente, do extrativismo. ”A ideia é montar dentro da Flona, em áreas degradadas, unidades de produção para que os folheiros possam colher e comercializar folhas sem pressionar as populações naturais”, conta a professora. Segundo ela, existem apenas experiências de plantio em pequenas áreas, mas nunca se testou a qualidade da pilocarpina nessas produções.

Glaucoma

O glaucoma consiste em um estreitamento do campo visual, que tira gradualmente a visão periférica da pessoa. De acordo com estimativa da Organização Mundial de Saúde (OMS), 80 milhões de pessoas terão glaucoma em 2020 no mundo. A doença é considerada a maior causa de cegueira irreversível. O tratamento precoce, no entanto, pode estagnar o seu avanço. A pilocarpina, além de ser utilizada na produção de colírio pela indústria farmacêutica, também é usada na formulação de cosméticos para cabelo e pele.

pesquisa jaborandi 2019 4

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Professora Gracialda Ferreira

Texto: Jussara Kishi

Fotos: Brendo Pereira

Ascom Ufra

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