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PESQUISA DA UFRA EM BARCARENA BUSCA AUXILIAR NA SEGURANÇA DE BARRAGENS

  • Publicado: Terça, 05 de Fevereiro de 2019, 12h36
  • Última atualização em Terça, 05 de Fevereiro de 2019, 12h50

pesquisa Barcarena 3

Os estudos são desenvolvidos pela equipe do Laboratório de Geologia de Ambientes Aquáticos

O rompimento da barragem de rejeitos de minério ocorrido no município de Brumadinho (MG), no último dia 25, trouxe novamente à tona o debate sobre os riscos socioambientais relacionados ao manejo de resíduos provenientes das atividades da indústria mineral no Brasil. Além da potencial perda de vidas humanas, um acontecimento como esse é capaz de devastar fauna e flora, contaminar solo e rios e comprometer o abastecimento de água para milhares de pessoas, entre outros impactos.

Buscando auxiliar o poder público e o setor privado na prevenção a tais sinistros ambientais, a Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) desenvolve, desde 2017, estudos de monitoramento no município de Barcarena (PA), na área de impacto do Depósito de Resíduos Sólidos DRS 2, barragem mantida pela mineradora Hydro Alunorte. A pesquisa é desenvolvida através do Laboratório de Geologia de Ambientes Aquáticos (LGAA), ligada ao Instituto Socioambiental e dos Recursos Hídricos (ISARH) da Universidade.

O coordenador do Laboratório, Professor Marcelo Moreno, explica que o trabalho da Ufra abrange, principalmente, estudos de qualidade de solo e água e os possíveis efeitos na fauna e na flora, mas também a questão social, uma vez que a região é cercada por comunidades.

A contribuição da academia

Segundo ele, a Ufra tem sido acionada para estudar barragens no estado do Pará todas as vezes em que estas apresentam algum tipo de problema. Porém, se antes os pesquisadores tratavam somente do pós-evento, hoje a Universidade mantém estudos permanentes em Barcarena. Em 2017, a Ufra e a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) foram convidadas pelo Deputado Federal Éder Mauro a fazer uma vistoria na barragem DRS 2 logo após o vazamento ocorrido em 2017. Em 2018, ocorreu um novo vazamento no mesmo local e a Ufra foi acionada pela Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados para participar de audiências públicas envolvendo o Ministério Público, os órgãos ambientais e a empresa.

À época, a Ufra já vinha desenvolvendo ações de monitoramento da qualidade ambiental, principalmente da água, em Barcarena, por conta do naufrágio de uma embarcação que transportava 4,5 mil bois vivos, em 2015. A ocorrência de diversos casos de vazamento e rompimento de barragens no Pará e no Brasil e as mudanças na legislação brasileira também levaram a Universidade a ampliar suas ações.

“A partir de 2010, com a implantação do Plano Nacional de Segurança de Barragens, se começou a discutir formas de classificação dessas barragens. Essa classificação abrange dois aspectos: risco e dano potencial associado. Nesse contexto, as empresas foram obrigadas a apresentar Planos de Ação Emergencial para suas barragens de mineração, e isso foi discutido entre o poder público e a academia. A partir daí, nós começamos a estudar esse tipo de situação”, informa. Muitas universidades, como a Ufra, prestam consultoria para verificar se o Plano de Ação Emergencial de determinada barragem está condizente com o tipo de obra, bem como verificar se os alteamentos – técnica usada para ampliar a capacidade de uma barragem - são feitos de forma criteriosa.

O professor, que é mestre em Geologia e tem curso de Segurança de Barragens pelo Instituto Minere em parceria com o CREA-MG, explica que o nível de risco de uma barragem está associado ao seu conteúdo, ou seja, depende do tipo de material existente. Já o dano potencial associado depende da existência de comunidades, florestas, nascentes, entre outros, na sua área de abrangência. “A barragem de Brumadinho, por exemplo, possuía um volume cerca de quatro a cinco vezes menor de rejeitos do que a de Mariana, mas o seu rompimento causou muito mais mortes porque atingiu as áreas comuns dos funcionários, infelizmente”, diz ele, referindo-se ao alto dano potencial associado da barragem coordenada pela mineradora Vale S.A.

pesquisa Barcarena 2

Visão da Barragem DRS2, em Barcarena.

Segurança de barragens

No caso da DRS 2, em Barcarena, a equipe de pesquisadores da instituição considera esta uma barragem tanto de alto risco, devido à existência de substâncias como arsênio e soda cáustica, quanto de alto dano potencial associado, devido à existência de comunidades, nascentes, rios, igarapés e fauna e flora presentes na floresta.

Atualmente, a pesquisa conduzida pelo Professor Marcelo Moreno e pelo Professor Jamer Costa entrou em uma nova etapa. “Estamos desenvolvendo estudos de segurança de barragens. O intuito é gerar uma simulação do que aconteceria no caso de um rompimento e, baseado no tipo de material, avaliar qual seria a velocidade de deslocamento dos rejeitos, que tem a ver com a densidade e a fluidez do material; que áreas esse material iria adentrar; e se as comunidades e alguns ecossistemas estão no caminho do fluxo”.

O Prof. Jamer Costa conta que esse tipo de modelagem matemática é também chamada de dam break, termo da engenharia que define o estudo que avalia os potenciais impactos da ruptura de uma barragem. Ele começou a trabalhar com essa tecnologia durante o mestrado para prever impactos de enchentes e hoje, com a equipe da Ufra, viu-se a necessidade de aplicar a técnica para estudar barragens no Pará, especialmente após o caso de Mariana em 2015. Para isso, escolheu-se a área de exploração mineral de Barcarena.

“Junto com uma aluna de graduação, estamos gerando uma modelagem na região de uma pequena bacia de rejeitos da empresa Imerys que gera muita preocupação, pois ela é separada de uma comunidade apenas por uma rua. A ideia é extrair a topografia da área usando drones e GPS geodésico. Com esse levantamento, conseguiremos gerar um modelo 3D topográfico da área, identificando a bacia, as casas, os córregos, a topografia etc.”, relata. Esses modelos serão usados, então, para realização do dam break, simulando o rompimento da barragem para averiguar qual seria a área atingida pela enxurrada.

O objetivo é desenvolver uma metodologia de baixo custo que possa subsidiar tanto as empresas mineradoras quando o poder público. “Realizando esse estudo e verificando quais áreas seriam atingidas, poderemos mostrar à sociedade as consequências. Dessa forma, a própria comunidade poderá pressionar as empresas e os órgãos públicos responsáveis pelas licenças”, informa o Prof. Jamer Costa. Além disso, a ferramenta de simulação pode auxiliar os órgãos de fiscalização na análise correta dos planos de ação emergencial.

“Outra possibilidade é ampliar esses estudos para outras áreas de barragens, não só de rejeitos de minério, mas também de uso recreativo, a exemplo do que ocorreu em Altamira, e barragens para agricultura, como ocorreu em Paragominas”, afirma. “Além disso, a Universidade cumpre, assim, o seu papel junto à sociedade de antecipar esses acidentes, que não são desastres naturais. Um terremoto ou um vulcanismo são eventos controlados pela natureza, mas neste caso o controle é humano”, completa o Prof. Marcelo Moreno.

pesquisa Barcarena 1

Visão da área de estudo de dam break, também em Barcarena.

Alteamento 

Os pesquisadores alertam para a questão dos alteamentos. “Na construção dessas barragens é preciso ter uma engenharia com muita atenção para os detalhes do local a ser construído. A meu ver, o nosso maior problema é com o mau dimensionamento dessas estruturas no alteamento das barragens, que corresponde à sua fase 2, quando o volume precisa ser aumentado para suportar mais rejeito”, informa o Prof. Marcelo Moreno. Em Barcarena, há barragens com previsão de até 80 metros.

O alteamento é considerado um método clássico em que a tecnologia é usada apenas para conter e, por vezes, trabalhar o rejeito para reaproveitamento. No entanto, existem alternativas que, segundo o professor, deverão substituir o método atual em todas as barragens no futuro. “Existem outras tecnologias para transformação desse rejeito, quando possível, em material de construção, como tijolos. Já existem ensaios sobre isso, mas eles ainda são muito pontuais. A médio prazo, essas novas tecnologias para reuso e não mais armazenamento se tornarão realidade”.

Apesar de todos os problemas associados, ele lembra que a sociedade atual ainda é dependente da indústria mineral. “Hoje ainda precisamos muito da mineração. Sem ela, não temos celulares, computadores, ar condicionado. Até dentro de casa, o tijolo, o cimento, a telha, os plásticos, o vaso do banheiro e o tingimento das roupas que usamos dependem do trabalho da mineração. No Pará, 89% do nosso Produto Interno Bruto (PIB) se deve à indústria mineral. O que tem que se fazer é buscar tecnologias que façam o reuso desse material, e não mais o acúmulo dele de forma desordenada”, alerta o professor da Ufra.

Texto: Jussara Kishi - Ascom Ufra

Mapas cedidos pelo LGAA/ Ufra

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